terça-feira, 30 de outubro de 2012

Capitulo 13- A gravata

Ednilma nunca pensou que iria querer viajar com ex-namorada de seu marido. Mas era uma ótima desculpa ir buscar a cadeira de rodas de Wilemina na casa de uma amiga de infância dela. Mas que para isso Ednilma escultou um monte, isso ela escultou da mãe.
- Vai viajar enquanto sua mãe está na sua casa? Isso que é consideração.
- Mãe. Eu tó indo ajudar a Wilemina. A senhora quer que ela vai rolando com a cadeira de rodas até o outro lado da cidade? Ela precisa de ajuda.
- Por mim ela vai rolando para o inferno. Eu quero é minha filha comigo.
Wilemina na sala tenta intervir.
- Dona Odranoeti, amanhã cedo ela já vai estar aqui.
- Não sei o que está falando minha sogra. O tempo que a senhora tinha para ficar com sua filha que foi a hora do almoço foi é emburrar lá para dentro. - Diz Rodrilberto se arrumando para voltar ao serviço.
- Estou num ninho de cobras. É aqui que eu vim me enfiar.  - Diz ela subindo as escadas e se fechando no quarto. Ednilma se vira para o marido e fala:
- Eu vou resolver isso. Está bem meu amor?
- Fique tranquila Ednilma. - Fala Rodrilberto a beijando. - Eu tenho certeza que seu pai vai voltar para sua mãe depois da sua conversa.
Mercelina que chega na sala fala:
- Você precisam se preparar. As vezes isso não pode acontecer. Ele não disse que já está num novo relacionamento?
- Disse. Mas eu vou dar um jeito. E só volto com o meu pai vindo para buscar a mamãe.
Elas entram dentro do carro. E Wilemina se despede do filho.
- Não vá fazer bagunça e nem sair Milioneiro. Ajude seu pai a enfrentar essa situação tão difícil.
- Pode deixar mãe. Pode ficar tranquila.
O carro sai e Ednilma se vira para Wilemina.
- É tão bom poder confiar no filho, não é Wilemina. Seu filho é tão quieto.
- É. Mas tenho medo. Está chegando na fase difícil. Alguns amiguinhos ainda são crianças demais. Outros já são adultos demais. E meu filho fica no meio. Sem saber o que fazer. Meu dever como mãe e dar o maior apoio em suas escolhas e não pressiona-lo . Dependendo das minhas atitudes ele pode passar por essa fase sã e salvo ou cheio de traumas.

Rodrilberto está saindo de casa para ir para o serviço quando se depara com Miloneiro no sofá.
- E ai filho? Como foi a aula?
- Foi boa. - Diz ele de olho na televisão.
- Os amigos perguntaram muito sobre o que aconteceu?
- Não. Nem tanto.
Rodrilberto se cansa dele olhando para a televisão. E se senta no sofá do lado do filho e com carinho vira o rosto dele para o dele.
- Eu quero que você entenda que eu estou abrindo as portas para você conversar qualquer coisa comigo. Está bem?
- Desculpa pai. Mas é que é meio difícil. O senhor até um mês atras era um desconhecido para mim. E agora...
- Eu compreendo que não seja nada fácil. Mas eu estou aqui... - Diz Rodrilberto triste e se levantando. Mas Milioneiro desliga a televisão vendo que o pai ficou triste e fala:
- Pai.
Rodrilberto se vira com um pequeno sorriso nos lábios.
- O que foi?
- Tem um amigo meu...
- Sim? - Pergunta Rodrilberto se sentando no sofá do seu lado.
- Ele é muito bobo. E os caras não aceitam ele.
- Não aceitam ele?
- É. E eles são muito loucos. Preparam festas fenomenais. E me chamaram para entrar no grupo deles. Eles também me acharam legal. Mas para isso tenho que fazer algo muito ruim para o meu amigo... O que você acha? O que eu faço? Eu posso ficar sendo o idiota da escola para sempre ou posso ficar sendo legal com os caras.
Rodrilberto se vira para Milioneiro.
- Eu não sei se caras que pedem para você fazer algo ruim para alguém são caras tão legais assim Milioneiro. E por que você acha que é um idiota se não entrar no grupinhos desses caras?
- Porque eu ando com um casal de amigos. E eu gostava da menina que meu amigo começou a namorar. E ele sabia que eu gostava dela. E mesmo assim ele ficou com ela. Mas eu o perdoei e continuamos amigos.
- E você por perdoar se tornou um idiota?
- Para os caras é sim.
- Se os caras achar que colocar merda na cabeça é legal. Você colocaria?
- Pai, essa gravata no seu pescoço não te aperta a garganta?
- Sim. Bastante.
- Mas porque você usa?
- Porque a sociedade acredita que homens importantes usem isso.
- Você não acha idiota também seguir uma regra que a sociedade impos mesmo sabendo que ela o incomoda.
- Você é um jovem bem mais inteligente que seu pai. E puxou muito sua mãe. - Fala Rodrilberto sorrindo e se levantando. Estava atrasado mais valeu a pena. Rodrilberto entra no carro e vai para sair. Ele olha no espelho a gravata e tira ela e a taca para fora da janela enquanto o carro começava a andar.
Milioneiro do lado de fora de casa vê a cena e corre e pega a gravata do pai e a olha.
O pai teve coragem de enfrentar a sociedade. Mas ele? Teria coragem de enfrentar Dozenui e seu grupo.

Ednilma dirigi o carro calada. Wilemina olhava a paisagem triste. E Edinilma vendo-a fala:
- Wilemina você nunca teve amigas? Vocês são tão sozinhos?
- Ednilma, quando era jovem e bonita tinha muitas amigas. E meus pais também. Mas quando uma menina de quinze anos fica gravida não é vista com bons olhos. E eu e meus pais nunca fomos de aceitar desaforo. Um a um dos amigos foi indo embora. E também não foi fácil. No dia da minha festa de formatura enquanto todos estavam no baile eu estava no médico com o Milioneiro com dor de ouvido.
- Não deve ter sido fácil. Mas porque não avisou para Rodrilberto? Ele é um homem decente. Teria assumido as responsabilidades junto de você.
- Eu não o amava. Nunca o amei verdadeiramente. Minhas amigas estavam todas de namoricos e eu era solteirona da turma, apesar de ser uma das mais bonitas. Todas já tinham perdido a virgindade e contavam histórias que me deixavam curiosa. E encontrei em Rodrilberto o homem para descobrir isso tudo.  Mas fomos longe demais. E o Rodrilberto era tão apaixonado. Eu senti que estava usando ele. Não amava ele. E não queria nada com ele depois de terminar os estudos. Eu fui a única culpada. E não queria acabar com a vida dele também.
- O Rodrilberto não foi um santo Wilemina. Vocês fizeram juntos esse filho.
- Eu sei. Só que não me via como uma mãe de família. Não queria isso para mim. Eu nunca contei para ninguém isso. Mas tentei abortar. Mas quando tomei aquele remédio e percebi o que tinha feito. Eu percebi que não dava para ser o que queria. Tinha que ser o que eu era. Uma mãe solteira. Consegui esconder da minha mãe por muito tempo. Ela nunca foi de prestar muita atenção em mim. Assumi a responsabilidade sozinha. Foram minhas escolhas.

Rodrilberto chega no serviço e vê apenas Fiorella mechendo no seu computador de serviço.
- Fiorella onde está todo mundo?
- Meu pai saiu com a Tonelly, o Rodinildo disse que a mãe dele morreu pela quinta vez esse mês. Estamos só você e eu aqui.
Rodrilberto sem jeito fala:
- Preciso trabalhar Fiorella. Não quer ir fazer o que quer que esteja fazendo no computador do seu pai.
- Descansa um pouco seu bobo. Meu pai e a Tonelly parace que vão demorar muito. - Diz ela rindo e continuando a mexer.
- Vai causar problemas para mim. Eu estou com trabalho atrasado.
- Relaxa Rodrilberto. E ai? O Rodinildo me contou que você está com a casa cheia.
- Ele é um bocudo e nunca mais conto nada para ele.
- Não é porque sou a filha do seu chefe que não podemos ser amigos. Sabia?
- Não podemos ser amigos porque sou casado Fiorella. Não tem nada a ver com seu pai.
Fiorella se levanta e vai até sua sala.
- Você as vezes é muito grosso sabia? As vezes precisamos desabafar e não tem ninguém para falar.
Ela sai nervosa. Rodrilberto com consciência pesada se vira e fala:
- Fiorella desculpa. É que estou muito esquentado com os problemas lá de casa.
Fiorella se vira com um sorrizinho.
- Eu entendo. Deve ser horrível conviver com uma ex-namorada na sua casa, filho e ainda a sogra.
- E tanta gente e tantos problemas misturados. Tem que dar atenção para todos se não...
- Vira um monstro. Eu também me sinto assim. Meus pais se separaram, e tenho que ir na casa dos dois do mesmo tanto se não. Imagina como minha mãe ficou quando soube que vinha trabalhar para o meu pai.
- Você tem é que casar logo Fiorella. Assim terá que ter a sua atenção voltada só para uma pessoa.
- Eu também acho. Minha esperança é essa. Mas não acho o cara certo. Na faculdade são todos uns idiotas, mauricinhos. Eu queria arrumar alguém assim... como você sabe... - diz ela rindo e com o olhar malicioso, mas mantendo uma distancia segura.
- Tem caras por ai, muito parecidos comigo. - Diz Rodrilberto tentando desviar o assunto. - Mas não sabia que estava fazendo faculdade.
- De contabilidade. Acho que você terá que me ensinar algumas coisinhas.
- Contabilidade? Mas seu pai não vai precisar de mim se tiver uma contadora em casa.
- Isso é verdade Rodrilberto. Mas eu posso ficar enrolando ele. Posso ser só uma auxiliar. Lógico se eu quiser.
- E você quer?
- Se sermos bons amigos. - Diz ela se aproximando sedutoramente.
De repente Tonelly, Rodinildo e Miguelito chegam.
- Dá para acreditar aonde eu encontrei esse vagabundo? -Diz Miguelito nervoso apontando para Rodinildo falando para Rodrilberto. - No bar. Bebendo enquanto a avó tava morrendo.
- É minha tia. - Diz Rodinildo. - Ela gostava de beber também. Fomos homenagea-la



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