sábado, 27 de outubro de 2012

Capitulo 11- Convivendo com dona Odranoeti.

Rodrilberto trabalhava numa loja de alfaiataria e era contador de lá. Os longos panos eram rigidamente vendidos com preços sem desconto e maquinalmente caúculados para que ninguém lucrasse na loja do seu Miguelito a não ser ele mesmo.
A loja era pequena e estreita. Trabalhava apenas Rodrilberto e dois vendedores. Rodinildo e Tonely. Além da filha do chefe que chegava de vez em quando para fazer cartões e faixas promocionais.
Naquele dia quando Rodrilberto chegou na loja Rodinildo já o chamou.
- Chegou atrasado de novo Rodrilberto. o Seu Miguelito não está nada feliz com você.
- Estou pouco me importando com o que ele pensa ou o que deixa de pensar Rodinildo.
- Que mau humor é esse cara?
- É minha sogra que veio morar conosco.
- Tem que ter muita paciência meu amigo.
- Isso além da minha ex-namorada e meu filho.
- O que? A sua esposa aceitou eles irem morar com vocês? Que coisa boa. Eu não te falei que ela ia pensar melhor?
- Falou mesmo. Mas as coisas não estão fáceis. E com a minha sogra agora tudo vai piorar.
- Você tem que impor seus limites Rodrilberto. Mas nunca esqueça que ela é a mãe da sua esposa. Sua esposa vai desabafar com você. Mas não vai gostar de ouvir você falando mal da mãe dela. Você se lembra da ultima vez.
- Ela quase destruiu meu casamento.
- Vocês não são mais recém-casados. Já tem mais maturidade. E vão saber lidar melhor com a situação. A dona Odranoiti é de difícil convivência. Mas não impossível.
- Isso é porque você não conhece ela.
De repente um senhor gordo de terno chega na loja com cara nervosa.
- O que está fazendo ai na porta Rodrilberto? Vai trabalhar! E você Rodinildo? Não está vendo que tem cliente na loja. A Tonely não vai dar conta sozinha.
Ele chegou acompanhado de uma linda mulher. Ela cumprimenta Rodrilberto com olhar sedutor.
- Olá Rodrilberto? Tudo bem?
- Bom dia dona Fiorella. - Diz Rodrilberto com uma careta.

Na casa de Edinilma, Wilemina está vendo televisão e Odranoeti chega pega o controle muda de canal e se senta no sofá.
- Ei! Eu estava vendo o programa!
- Eu vi! Não sou sega. Mas está na hora da minha novela.
- O que a senhora tem?
- Fome! Estou com muita fome e a imprestável da empregada que minha filha arrumou não arruma logo essa janta.
- Não existe só você no mundo não. Sabia? A Mercelina disse que costuma fazer o almoço ao meio-dia horário que sua filha, o marido dela chegam do serviço.
- É porque ela não pensa na mãe dela que chegou de viagem e nem lanchou.
- Então vai lá e avisa para a Mercelina te fazer um lanche. Ela não vai adivinhar que você tá com fome não. Sabia?
- Você é uma mulher muito grossa. "Sabia?". Vou ter uma conversinha com minha filha. E você vai embora longuinho se não melhorar esse seu jeitinho comigo.
- Estou morrendo de medo! - Fala Wilemina ameaçando.
Odranoeti se levanta e vai até a cozinha. Ela chega e vê Mercelina fazendo a comida.
- Nessa casa não tem nada para comer não?
- Meio dia em ponto o almoço vai sair dona Odranoeti.
- Até chegar meio dia eu já morri de fome. Mas isso não vai ser ruim para vocês não. Não é? Minha filha ia adorar se ver livre da mãe.
- Aposto que não dona Odranoeti. Sua filha te ama. E ia chorar muito em te perder. - Mercelina pega um pote de bolachas e coloca em cima da mesa. - Não coma muito o almoço está muito saboroso hoje.
- Duvido. Empregada nunca faz comida boa. É tudo com pressa, com raiva dos patrões.
- Não é o meu caso dona Odranoeti. Eu gosto muito dos meus patrões. São pessoas muito simpáticas e me tratam super bem.
- Você fala isso porque está na minha frente. Mas aposto que lá na casa fala deles até a língua cair.
- Fez boa viagem dona Odranoeti? - Pergunta Mercelina sabiamente mudando de assunto.
- O ônibus era horrível. Cheio de gente nojenta dentro dele. Não paravam de conversar um minuto. Não deu nem para dormir.
- Porque não deita um pouco para descansar. Se quiser eu prepara a cama.
- Se quisesse dormir. Taria dormindo.
- Desculpe. Só queria ajudar. - Fala Mercelina roboticamente. Era o jeito que aprendeu a lidar com Odranoeti.
- Você parece meu marido. Vivi se desculpando.
- Seu marido? Como está?
Odranoeti enquanto comia as bolachas fala:
- Como sempre vendo televisão e pintando aqueles quadros ridículos dele. Não sabe fazer outra coisa desde que se aposentou.
- Ele devia investir. O quadro que ele mandou para a filha está na sala. A senhora viu?
- Ela só colocou aquele quadro ali só para agradar o pai. Se não fosse, duvido que ela colocasse ali. Iria usar para contrapeso no pé da mesa.
- A senhora não devia falar assim do seu marido. Ele te ama demais. E merece elogios da senhora.
- Quer ficar com ele? Casa com ele. Agora está lá. Velho, sozinho e com muito amor para dar.
- A senhora deveria dar valor no seu marido. Homem do jeito dele não se encontra em qualquer lugar. Ele tem muita paciência.
- Mas Mercelina é justamente isso que não aguento nele. Ele é muito paciente. Faz tudo com tanta calma. E para ele todo mundo é tão bonzinho. Parece que é gaga.
- Porque brigaram? Ele não parece ter cara de mandar alguém embora.
- Acho que você tá é querendo saber de mais. Isso é coisa minha e da minha família.
Odranoeti sai nervosa deixando o vidro de bolachas aberto em cima da mesa.

Edinilma no hotel onde trabalhava termina de atender uma cliente e se vira para amiga Carina, colega dela que também terminava de atender um dos hospedes.
- Carina. Eu não sei como vou lidar com minha mãe lá em casa. Não sei quanto tempo ela vai ficar. Se ela ficar a vida toda. Eu prefiro morrer.
- Credo Edinilma. Mas sua mãe é tão má assim?
- Ela me humilha o tempo todo. Todo momento me colocando para baixo, colocando enfase nos meus defeitos. Acho que é o jeito dela de tentar fazer eu melhorar mas eu não aguento.
- Porque você não fala isso para ela?
- Deus que me livre. Se eu falar eu já estou maltratando ela. E eu viro a filha horrível. Ela tem o dom de conseguir virar a vitima de repente.
- Mas porque ela está na sua casa.
- Brigou com meu pai. Ela disse que ele a expulsou de casa. Mas eu duvido muito. Meu pai é um santo que suporta a minha mãe a mais de quarenta anos. Se ele foi capaz disso é porque ela fez algo de muito feio.
- E você já conversou com ele?
- Não. Não deu tempo. Ontem a noite ela ligou para mim. E hoje de manhã já tive que ir busca-la.
- Então a solução está ai. Liga para o seu pai e ajude a resolver os problemas deles. Assim ela volta para casa dela e você continua a viver feliz para sempre com o seu marido, a ex-namorada dele e o filho deles.


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