terça-feira, 30 de outubro de 2012

Capitulo 13- A gravata

Ednilma nunca pensou que iria querer viajar com ex-namorada de seu marido. Mas era uma ótima desculpa ir buscar a cadeira de rodas de Wilemina na casa de uma amiga de infância dela. Mas que para isso Ednilma escultou um monte, isso ela escultou da mãe.
- Vai viajar enquanto sua mãe está na sua casa? Isso que é consideração.
- Mãe. Eu tó indo ajudar a Wilemina. A senhora quer que ela vai rolando com a cadeira de rodas até o outro lado da cidade? Ela precisa de ajuda.
- Por mim ela vai rolando para o inferno. Eu quero é minha filha comigo.
Wilemina na sala tenta intervir.
- Dona Odranoeti, amanhã cedo ela já vai estar aqui.
- Não sei o que está falando minha sogra. O tempo que a senhora tinha para ficar com sua filha que foi a hora do almoço foi é emburrar lá para dentro. - Diz Rodrilberto se arrumando para voltar ao serviço.
- Estou num ninho de cobras. É aqui que eu vim me enfiar.  - Diz ela subindo as escadas e se fechando no quarto. Ednilma se vira para o marido e fala:
- Eu vou resolver isso. Está bem meu amor?
- Fique tranquila Ednilma. - Fala Rodrilberto a beijando. - Eu tenho certeza que seu pai vai voltar para sua mãe depois da sua conversa.
Mercelina que chega na sala fala:
- Você precisam se preparar. As vezes isso não pode acontecer. Ele não disse que já está num novo relacionamento?
- Disse. Mas eu vou dar um jeito. E só volto com o meu pai vindo para buscar a mamãe.
Elas entram dentro do carro. E Wilemina se despede do filho.
- Não vá fazer bagunça e nem sair Milioneiro. Ajude seu pai a enfrentar essa situação tão difícil.
- Pode deixar mãe. Pode ficar tranquila.
O carro sai e Ednilma se vira para Wilemina.
- É tão bom poder confiar no filho, não é Wilemina. Seu filho é tão quieto.
- É. Mas tenho medo. Está chegando na fase difícil. Alguns amiguinhos ainda são crianças demais. Outros já são adultos demais. E meu filho fica no meio. Sem saber o que fazer. Meu dever como mãe e dar o maior apoio em suas escolhas e não pressiona-lo . Dependendo das minhas atitudes ele pode passar por essa fase sã e salvo ou cheio de traumas.

Rodrilberto está saindo de casa para ir para o serviço quando se depara com Miloneiro no sofá.
- E ai filho? Como foi a aula?
- Foi boa. - Diz ele de olho na televisão.
- Os amigos perguntaram muito sobre o que aconteceu?
- Não. Nem tanto.
Rodrilberto se cansa dele olhando para a televisão. E se senta no sofá do lado do filho e com carinho vira o rosto dele para o dele.
- Eu quero que você entenda que eu estou abrindo as portas para você conversar qualquer coisa comigo. Está bem?
- Desculpa pai. Mas é que é meio difícil. O senhor até um mês atras era um desconhecido para mim. E agora...
- Eu compreendo que não seja nada fácil. Mas eu estou aqui... - Diz Rodrilberto triste e se levantando. Mas Milioneiro desliga a televisão vendo que o pai ficou triste e fala:
- Pai.
Rodrilberto se vira com um pequeno sorriso nos lábios.
- O que foi?
- Tem um amigo meu...
- Sim? - Pergunta Rodrilberto se sentando no sofá do seu lado.
- Ele é muito bobo. E os caras não aceitam ele.
- Não aceitam ele?
- É. E eles são muito loucos. Preparam festas fenomenais. E me chamaram para entrar no grupo deles. Eles também me acharam legal. Mas para isso tenho que fazer algo muito ruim para o meu amigo... O que você acha? O que eu faço? Eu posso ficar sendo o idiota da escola para sempre ou posso ficar sendo legal com os caras.
Rodrilberto se vira para Milioneiro.
- Eu não sei se caras que pedem para você fazer algo ruim para alguém são caras tão legais assim Milioneiro. E por que você acha que é um idiota se não entrar no grupinhos desses caras?
- Porque eu ando com um casal de amigos. E eu gostava da menina que meu amigo começou a namorar. E ele sabia que eu gostava dela. E mesmo assim ele ficou com ela. Mas eu o perdoei e continuamos amigos.
- E você por perdoar se tornou um idiota?
- Para os caras é sim.
- Se os caras achar que colocar merda na cabeça é legal. Você colocaria?
- Pai, essa gravata no seu pescoço não te aperta a garganta?
- Sim. Bastante.
- Mas porque você usa?
- Porque a sociedade acredita que homens importantes usem isso.
- Você não acha idiota também seguir uma regra que a sociedade impos mesmo sabendo que ela o incomoda.
- Você é um jovem bem mais inteligente que seu pai. E puxou muito sua mãe. - Fala Rodrilberto sorrindo e se levantando. Estava atrasado mais valeu a pena. Rodrilberto entra no carro e vai para sair. Ele olha no espelho a gravata e tira ela e a taca para fora da janela enquanto o carro começava a andar.
Milioneiro do lado de fora de casa vê a cena e corre e pega a gravata do pai e a olha.
O pai teve coragem de enfrentar a sociedade. Mas ele? Teria coragem de enfrentar Dozenui e seu grupo.

Ednilma dirigi o carro calada. Wilemina olhava a paisagem triste. E Edinilma vendo-a fala:
- Wilemina você nunca teve amigas? Vocês são tão sozinhos?
- Ednilma, quando era jovem e bonita tinha muitas amigas. E meus pais também. Mas quando uma menina de quinze anos fica gravida não é vista com bons olhos. E eu e meus pais nunca fomos de aceitar desaforo. Um a um dos amigos foi indo embora. E também não foi fácil. No dia da minha festa de formatura enquanto todos estavam no baile eu estava no médico com o Milioneiro com dor de ouvido.
- Não deve ter sido fácil. Mas porque não avisou para Rodrilberto? Ele é um homem decente. Teria assumido as responsabilidades junto de você.
- Eu não o amava. Nunca o amei verdadeiramente. Minhas amigas estavam todas de namoricos e eu era solteirona da turma, apesar de ser uma das mais bonitas. Todas já tinham perdido a virgindade e contavam histórias que me deixavam curiosa. E encontrei em Rodrilberto o homem para descobrir isso tudo.  Mas fomos longe demais. E o Rodrilberto era tão apaixonado. Eu senti que estava usando ele. Não amava ele. E não queria nada com ele depois de terminar os estudos. Eu fui a única culpada. E não queria acabar com a vida dele também.
- O Rodrilberto não foi um santo Wilemina. Vocês fizeram juntos esse filho.
- Eu sei. Só que não me via como uma mãe de família. Não queria isso para mim. Eu nunca contei para ninguém isso. Mas tentei abortar. Mas quando tomei aquele remédio e percebi o que tinha feito. Eu percebi que não dava para ser o que queria. Tinha que ser o que eu era. Uma mãe solteira. Consegui esconder da minha mãe por muito tempo. Ela nunca foi de prestar muita atenção em mim. Assumi a responsabilidade sozinha. Foram minhas escolhas.

Rodrilberto chega no serviço e vê apenas Fiorella mechendo no seu computador de serviço.
- Fiorella onde está todo mundo?
- Meu pai saiu com a Tonelly, o Rodinildo disse que a mãe dele morreu pela quinta vez esse mês. Estamos só você e eu aqui.
Rodrilberto sem jeito fala:
- Preciso trabalhar Fiorella. Não quer ir fazer o que quer que esteja fazendo no computador do seu pai.
- Descansa um pouco seu bobo. Meu pai e a Tonelly parace que vão demorar muito. - Diz ela rindo e continuando a mexer.
- Vai causar problemas para mim. Eu estou com trabalho atrasado.
- Relaxa Rodrilberto. E ai? O Rodinildo me contou que você está com a casa cheia.
- Ele é um bocudo e nunca mais conto nada para ele.
- Não é porque sou a filha do seu chefe que não podemos ser amigos. Sabia?
- Não podemos ser amigos porque sou casado Fiorella. Não tem nada a ver com seu pai.
Fiorella se levanta e vai até sua sala.
- Você as vezes é muito grosso sabia? As vezes precisamos desabafar e não tem ninguém para falar.
Ela sai nervosa. Rodrilberto com consciência pesada se vira e fala:
- Fiorella desculpa. É que estou muito esquentado com os problemas lá de casa.
Fiorella se vira com um sorrizinho.
- Eu entendo. Deve ser horrível conviver com uma ex-namorada na sua casa, filho e ainda a sogra.
- E tanta gente e tantos problemas misturados. Tem que dar atenção para todos se não...
- Vira um monstro. Eu também me sinto assim. Meus pais se separaram, e tenho que ir na casa dos dois do mesmo tanto se não. Imagina como minha mãe ficou quando soube que vinha trabalhar para o meu pai.
- Você tem é que casar logo Fiorella. Assim terá que ter a sua atenção voltada só para uma pessoa.
- Eu também acho. Minha esperança é essa. Mas não acho o cara certo. Na faculdade são todos uns idiotas, mauricinhos. Eu queria arrumar alguém assim... como você sabe... - diz ela rindo e com o olhar malicioso, mas mantendo uma distancia segura.
- Tem caras por ai, muito parecidos comigo. - Diz Rodrilberto tentando desviar o assunto. - Mas não sabia que estava fazendo faculdade.
- De contabilidade. Acho que você terá que me ensinar algumas coisinhas.
- Contabilidade? Mas seu pai não vai precisar de mim se tiver uma contadora em casa.
- Isso é verdade Rodrilberto. Mas eu posso ficar enrolando ele. Posso ser só uma auxiliar. Lógico se eu quiser.
- E você quer?
- Se sermos bons amigos. - Diz ela se aproximando sedutoramente.
De repente Tonelly, Rodinildo e Miguelito chegam.
- Dá para acreditar aonde eu encontrei esse vagabundo? -Diz Miguelito nervoso apontando para Rodinildo falando para Rodrilberto. - No bar. Bebendo enquanto a avó tava morrendo.
- É minha tia. - Diz Rodinildo. - Ela gostava de beber também. Fomos homenagea-la



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Capitulo 12- Pedindo socorro para o papai

A hora do recreio para muitas crianças é a melhor hora do colégio. É hora em que é solta as amarras das obrigações e aonde o seu ensaio para a vida real acontece. Aonde amizades são formadas, aonde namoros começam e aonde inimigos são enfrentados.
Para Milioneiro não era tão legal assim a hora do recreio. Não era muito engraçado ficar vigiando ver se a professora não vinha enquanto a menina que você mais gostava agarrava nos fundos do colégio. Milioneiro lanchava triste enquanto Madelina e Teorino se agarravam. Quando Dezenui um menino gordo e feio se aproxima de Milioneiro.
- E ai Mili? Não cansa de segurar vela não?
Milioneiro segura seu lanche assustado. Mas enfrenta mesmo com medo o valetão.
- Cai fora Dezenui! Sua área não é essa. Você sabe disso!
- Eu sei disso. Pois mesmo se estivesse na minha área você já não teria dentes. - E o malvado abriu um grande sorriso. - Mas eu vim em missão de paz. - O menino coloca o braço no ombro de Milioneiro. - Você até que é um cara legal. E quero você no meu grupo.
- O que? Você quer eu como seu amigo?
- Você é surdo por acaso?
- Não. Só estou surpreso desse convite.
- Você poderá andar por onde quiser. Toda área sera livre. E poderá ir nas festinhas que meu irmão dá.
- Jura Dezenui?
- É claro. Só que tudo tem um preço.
- Que preço?
- Para entrar no meu grupo você terá que trolar o quatro olhos.
- O que? Trolar? O quatro olhos?
- Sim. Você vai ter que fazer uma zuação com seu amigo Uminota.
- Mas ele é um dos meus melhores amigos.
- Ele é seu único amigo. Você acha de verdade que o Teorino é seu amigo? É otário mesmo. Mas não se preocupe. Se você fizer isso com o Uminota. Você terá todos nos como amigos.
Milioneiro olha para o grupo. Tinha que tomar uma decisão.
- Topa ou não topa cara?
- Eu topo. O que eu vou ter que fazer?
- Vai ter o discurso da bandeira amanhã. E o nerd do Uminota que vai fazer esse discurso enquanto a bandeira é erguida.

Ednilma chega em casa para o almoço olhando para todos os lados. Na sala está Wilemina.
- E ai? Aonde ela está?
- Não sei. Aquela mulher parece um fantasma. Aparece em todos os lugares quando menos espera. Agora eu sei porque vocês tinham tanto medo dela.
-Shiuuu! Fala baixo. Se ela escultar eu estou ferrada.
Mercelina aparece na sala:
- Ednilma ainda bem que a senhora chegou. A sua mãe já comeu o vidro de bolachas, os cinco pães para lanche da tarde e não para de me perguntar quando o almoço irá sair.
Ednilma vai até a cozinha e vê a mãe abrindo as panelas de Mercelina.
- Mamãe!
- Finalmente chegou. Sabia que se você não voltasse para o serviço agente iria morrer de fome? Sua empregada é muito despeitada! -Ela prova o caldo da panela e grita atravessando Edinilma. - Mercelina o caldo precisa de mais sal! Não tem ninguém doente aqui não!
- Mãe! Por favor! A Mercelina sabe o que está fazendo!
- E você quer dizer que eu não sei fazer comida! Fui eu que te alimentei por mais de vinte anos! Porque se dependesse do seu pai! Ele não sabia fazer um arroz!
- Era você que não deixava ele fazer nada na cozinha da senhora. Sempre criticando e dando palpites.
- Ai vem você. Seu pai é sempre é um santo. E eu um monstro. - A mulher começa a chorar. - Isso é uma faca no meu peito Edinilma. Eu que criei vocês! Seu pai nunca estava em casa!
- A senhora obrigava ele a trabalhar em dois empregos! Sempre o precionando, o criticando. Nada nunca esteve bom para você!
- Você? Por acaso eu larguei de ser sua mãe por um acaso? A educação que eu te dei desapareceu não é. É isso que dá ter um marido que nem cursou uma faculdade. Mas eu te falo. Um dia ainda você ainda terá só eu Edinilma. Ai me dará valor!
Ela sobe as escadas nervosa para o quarto. E Mercelina correndo fala:
- Vamos servir o almoço agora dona Odranoeti.
- Eu não vou comer na casa de um monstro como minha filha. Perdi a fome!
Rodrilberto chega com o filho do lado sabendo que já tinha briga. Edinilma se senta a mesa desesperada.
- O que eu faço gente? Eu não suporto viver com minha mãe. Eu vou ficar louca assim.
Rodrilberto chega falando:
- Você deve chegar e falar para ela meu amor, que ela terá que alugar uma casa. Você sabe que vocês não dão certo.
- A sua mãe não dá certo com ninguém Edinilma - Fala Wilemina segura do que falava.
- Eu vou falar com papai. Não é possível. O único que aguenta ela é ele. E um amor de quarenta anos não se acaba assim do dia para a noite.
- Alguma coisa sua mãe deve ter aprontado. - Fala Wilemina novamente.
- Mas ela não quer contar. O jeito é falar com ele. E já passou dá hora de eu fazer isso. Vão almoçando que eu ligar lá do meu quarto.
Edinilma sobe as escadas nervosa. E liga para o pai. Depois de alguns toques uma voz calma e tranquila fala:
- Alô? Quem fala?
- Pai? Sou eu. Edinilma.
- Filha! Quanto tempo. Tinha esperança que você me ligasse agora.
- Pai. O que foi que aconteceu? Minha mãe está me deixando louca!
- Isso nas seis horas que ela está ai. Imagine o que eu tive que aguentar minha vida inteira. - Fala o velho rindo.
- Tive? O senhor de verdade não quer mais aguentar? O que aconteceu? Porque brigaram?
- Querida, verdadeiramente eu amo sua mãe. Mas ela não me dava o devido valor que eu merecia. Sempre me prendeu numa teia de promessas e joguinhos. Mas consegui me livrar disso com ajuda da Mona.
- Mona? Que Mona?
- Minha professora de Artes. Ela me ajudou a ver meu mundo de outra forma. Eu não preciso sofrer. Ninguém precisa. Temos de ver a vida de forma diferente. De forma viva. E sua mãe se prega aos problemas e aos sofrimentos. Parece que ela gosta de ser vitima da vida e não age. Não quer agir, para não correr o risco de não ter desculpa para dizer aos que está sofrendo, que está triste. E eu não quero mais ser assim. Quero ser feliz Edinilma. E com sua mãe jamais seria.
- Volta para minha mãe pai. Faz ela entender isso.
- Você de verdade acha que alguém faz ela entender alguma coisa nessa vida? E além de tudo, eu comecei um relacionamento com outra pessoa.
- Outra pessoa? Quem?
- A minha professora de Artes Mona. Ela é tão perfeita Edinilma. Você não tem ideia. Você vai adorar conhece-la.
- Tenho certeza pai. - Edinilma desliga o telefone e desce as escadas triste aonde todos almoçavam menos Odranoeti.
- Meu pai arrumou outra mulher.
- Nossa, seu pai é rápido! - Fala Wilemina surpresa.
- Agora é aprender a conviver com sua mãe da melhor forma possível. - Fala Mercelina também comendo.
Ednilma bate na mesa e fala:
- Não! Eu não vou aprender a conviver com ninguém. Porque eu vivi com ela vinte anos e sei que isso é impossivel. Agente nunca vai se dar bem. Quem é que pode se dar bem com ela? O único é meu pai e vou ir lá pessoalmente conversar com ele.
- Mas amor se sua mãe souber ela vai te matar. - Fala Rodrilberto preocupado.
- Eu invento uma desculpa. - Edinilma olha para Wilemina e fala: - Wilemina você vai comigo. Vamos comprar sua cadeira. É uma ótima desculpa. De carro até a noite voltaremos e minha mãe passará a noite na casa dela.
- Mas o que pensa em fazer com a outra mulher? - Fala Wilemina.
- Não sei. Vou obrigar meu pai a virar bígamo. Mas minha mãe vai voltar para a casa deles.


sábado, 27 de outubro de 2012

Capitulo 11- Convivendo com dona Odranoeti.

Rodrilberto trabalhava numa loja de alfaiataria e era contador de lá. Os longos panos eram rigidamente vendidos com preços sem desconto e maquinalmente caúculados para que ninguém lucrasse na loja do seu Miguelito a não ser ele mesmo.
A loja era pequena e estreita. Trabalhava apenas Rodrilberto e dois vendedores. Rodinildo e Tonely. Além da filha do chefe que chegava de vez em quando para fazer cartões e faixas promocionais.
Naquele dia quando Rodrilberto chegou na loja Rodinildo já o chamou.
- Chegou atrasado de novo Rodrilberto. o Seu Miguelito não está nada feliz com você.
- Estou pouco me importando com o que ele pensa ou o que deixa de pensar Rodinildo.
- Que mau humor é esse cara?
- É minha sogra que veio morar conosco.
- Tem que ter muita paciência meu amigo.
- Isso além da minha ex-namorada e meu filho.
- O que? A sua esposa aceitou eles irem morar com vocês? Que coisa boa. Eu não te falei que ela ia pensar melhor?
- Falou mesmo. Mas as coisas não estão fáceis. E com a minha sogra agora tudo vai piorar.
- Você tem que impor seus limites Rodrilberto. Mas nunca esqueça que ela é a mãe da sua esposa. Sua esposa vai desabafar com você. Mas não vai gostar de ouvir você falando mal da mãe dela. Você se lembra da ultima vez.
- Ela quase destruiu meu casamento.
- Vocês não são mais recém-casados. Já tem mais maturidade. E vão saber lidar melhor com a situação. A dona Odranoiti é de difícil convivência. Mas não impossível.
- Isso é porque você não conhece ela.
De repente um senhor gordo de terno chega na loja com cara nervosa.
- O que está fazendo ai na porta Rodrilberto? Vai trabalhar! E você Rodinildo? Não está vendo que tem cliente na loja. A Tonely não vai dar conta sozinha.
Ele chegou acompanhado de uma linda mulher. Ela cumprimenta Rodrilberto com olhar sedutor.
- Olá Rodrilberto? Tudo bem?
- Bom dia dona Fiorella. - Diz Rodrilberto com uma careta.

Na casa de Edinilma, Wilemina está vendo televisão e Odranoeti chega pega o controle muda de canal e se senta no sofá.
- Ei! Eu estava vendo o programa!
- Eu vi! Não sou sega. Mas está na hora da minha novela.
- O que a senhora tem?
- Fome! Estou com muita fome e a imprestável da empregada que minha filha arrumou não arruma logo essa janta.
- Não existe só você no mundo não. Sabia? A Mercelina disse que costuma fazer o almoço ao meio-dia horário que sua filha, o marido dela chegam do serviço.
- É porque ela não pensa na mãe dela que chegou de viagem e nem lanchou.
- Então vai lá e avisa para a Mercelina te fazer um lanche. Ela não vai adivinhar que você tá com fome não. Sabia?
- Você é uma mulher muito grossa. "Sabia?". Vou ter uma conversinha com minha filha. E você vai embora longuinho se não melhorar esse seu jeitinho comigo.
- Estou morrendo de medo! - Fala Wilemina ameaçando.
Odranoeti se levanta e vai até a cozinha. Ela chega e vê Mercelina fazendo a comida.
- Nessa casa não tem nada para comer não?
- Meio dia em ponto o almoço vai sair dona Odranoeti.
- Até chegar meio dia eu já morri de fome. Mas isso não vai ser ruim para vocês não. Não é? Minha filha ia adorar se ver livre da mãe.
- Aposto que não dona Odranoeti. Sua filha te ama. E ia chorar muito em te perder. - Mercelina pega um pote de bolachas e coloca em cima da mesa. - Não coma muito o almoço está muito saboroso hoje.
- Duvido. Empregada nunca faz comida boa. É tudo com pressa, com raiva dos patrões.
- Não é o meu caso dona Odranoeti. Eu gosto muito dos meus patrões. São pessoas muito simpáticas e me tratam super bem.
- Você fala isso porque está na minha frente. Mas aposto que lá na casa fala deles até a língua cair.
- Fez boa viagem dona Odranoeti? - Pergunta Mercelina sabiamente mudando de assunto.
- O ônibus era horrível. Cheio de gente nojenta dentro dele. Não paravam de conversar um minuto. Não deu nem para dormir.
- Porque não deita um pouco para descansar. Se quiser eu prepara a cama.
- Se quisesse dormir. Taria dormindo.
- Desculpe. Só queria ajudar. - Fala Mercelina roboticamente. Era o jeito que aprendeu a lidar com Odranoeti.
- Você parece meu marido. Vivi se desculpando.
- Seu marido? Como está?
Odranoeti enquanto comia as bolachas fala:
- Como sempre vendo televisão e pintando aqueles quadros ridículos dele. Não sabe fazer outra coisa desde que se aposentou.
- Ele devia investir. O quadro que ele mandou para a filha está na sala. A senhora viu?
- Ela só colocou aquele quadro ali só para agradar o pai. Se não fosse, duvido que ela colocasse ali. Iria usar para contrapeso no pé da mesa.
- A senhora não devia falar assim do seu marido. Ele te ama demais. E merece elogios da senhora.
- Quer ficar com ele? Casa com ele. Agora está lá. Velho, sozinho e com muito amor para dar.
- A senhora deveria dar valor no seu marido. Homem do jeito dele não se encontra em qualquer lugar. Ele tem muita paciência.
- Mas Mercelina é justamente isso que não aguento nele. Ele é muito paciente. Faz tudo com tanta calma. E para ele todo mundo é tão bonzinho. Parece que é gaga.
- Porque brigaram? Ele não parece ter cara de mandar alguém embora.
- Acho que você tá é querendo saber de mais. Isso é coisa minha e da minha família.
Odranoeti sai nervosa deixando o vidro de bolachas aberto em cima da mesa.

Edinilma no hotel onde trabalhava termina de atender uma cliente e se vira para amiga Carina, colega dela que também terminava de atender um dos hospedes.
- Carina. Eu não sei como vou lidar com minha mãe lá em casa. Não sei quanto tempo ela vai ficar. Se ela ficar a vida toda. Eu prefiro morrer.
- Credo Edinilma. Mas sua mãe é tão má assim?
- Ela me humilha o tempo todo. Todo momento me colocando para baixo, colocando enfase nos meus defeitos. Acho que é o jeito dela de tentar fazer eu melhorar mas eu não aguento.
- Porque você não fala isso para ela?
- Deus que me livre. Se eu falar eu já estou maltratando ela. E eu viro a filha horrível. Ela tem o dom de conseguir virar a vitima de repente.
- Mas porque ela está na sua casa.
- Brigou com meu pai. Ela disse que ele a expulsou de casa. Mas eu duvido muito. Meu pai é um santo que suporta a minha mãe a mais de quarenta anos. Se ele foi capaz disso é porque ela fez algo de muito feio.
- E você já conversou com ele?
- Não. Não deu tempo. Ontem a noite ela ligou para mim. E hoje de manhã já tive que ir busca-la.
- Então a solução está ai. Liga para o seu pai e ajude a resolver os problemas deles. Assim ela volta para casa dela e você continua a viver feliz para sempre com o seu marido, a ex-namorada dele e o filho deles.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Capitulo 10- Um romance na escola e um filme de terror em casa

Dona Odranoeti nunca foi uma pessoa de fácil convivência. Edinilma sempre teve sua vida um pouco mais complicada por ter uma mãe tão exigente com as outras pessoas. Sua estima era constantemente baixa pela criação que teve. A mãe sempre achava que para a filha crescer e se tornar uma pessoa melhor ela deveria mostrar para filha que ela nunca iria ser boa o bastante. Isso significava constantes criticas que deixava Edinilma deprimida.
Sua mãe do seu lado no carro fazia Edinilma temer o que iria sair da boca da mãe. E então resolveu ficar calada. Porém Odranoeti era uma mulher que achava que para ser sincera e correta deveria falar o que pensava. O que muitas vezes não era o melhor que a pessoa gostava de escultar. E para Odranoeti todos eram obrigados a ouvir a verdade.
- Não é possível que mesmo você tendo que trabalhar não consegue comprar um carro descente. Está caindo aos pedaços.
- Mamãe esse é o carro da  nossa empregada domestica. O nosso está com o Rodrilberto. Ele foi levar o sobrinho dele para a escola e foi trabalhar.
- Não acho que ele mereça usar o carro mais que você. Não pagaram o carro juntos? Minha filha se você não tomar cuidado esse homem vai viver a vida toda se aproveitando de você. - Edinilma sempre preferiu ficar calada diante da mãe. Parecia que nada fazia ela perceber que estava errada.
- Rodrilberto nunca se aproveitou de mim. Somos um casal e temos que dividir as coisas.
- Quantas vezes você dirigiu o carro de vocês? Me responde?
- Mãe, nunca precisei. Ele sempre me deixa no serviço. Só em situações como essas que eu preciso de um carro. E costumo pegar emprestado da Mercelina.
- "Situações como essa". Parece ser um sacrifício tão grande ter que pegar sua mãe na rodoviária. Se eu soubesse que fosse assim eu ia para de baixo da ponte que iria ser melhor.
- Não é sacrifício nenhum para mim mãe. - Diz Edinilma se controlando. - O que aconteceu entre você e o papai?
-Você conhece seu pai. - "Um santo homem" Pensa Edinilma já imaginando o que faria seu pai perder a cabeça com a mãe. - Ele me fez perder a paciência. E fiz coisas que ele não gostou.
- O que você fez com ele mãe? - Pergunta Edinilma nervosa.
- Sua casa nunca vai chegar não. Parece que cada vez que eu venho aqui essa casa fica mais longe.
Odranoeti tinha o dom de mudar de assunto quando não queria falar sobre ele ou quando estava errada.

Rodrilberto deixa Milioneiro na escola. O sentimento entre os dois estava um pouco mais complicado do que antes. Não era fácil para Milioneiro perder os avos e ver a mãe daquele estado. Mas estava muito feliz por ir morar com o pai. Rodrilberto encarava a visão de ter um filho na adolescência e tendo que criar uma amizade que não era fácil de ter com um estranho.
- Boa sorte na escola.
- Boa sorte no trabalho pai.
- Olha, sei que as cosias não estão fáceis. Se quiser conversar é só chegar e ...
- ..falar? - Pergunta Milioneiro. - Pode deixar. Ainda não tivemos tempo de bater um papo. Mas...
- Quando chegar em casa.  - Fala Rodrilberto apertando a mão do filho.
- Combinado. - Milioneiro sai do carro e corre para os amigos. Uma menino e uma menina.
Rodrilberto fica olhando. O menino e a menina estavam de mãos dadas e Milioneiro estava sobrando.
O menino falava com alegria para o colega.
- Milioneiro, o que é que aconteceu? Dois dias sem vir para a escola?
A menina fala rindo.
- Todos já estavam pensando que você tinha morrido.
- Não Madelina. Meus avos que morreram.
- Que paia cara. - Fala o menino triste. - Como que aconteceu isso?
- Acidente de carro Teorino. Mas não quero falar disso. O que foi que eu perdi? - Fala Milioneiro abrindo um sorriso.
- Só o Dozenui que recebeu uma advertencia da diretora. - Fala Madelina rindo.
- Mas o que ele fez? - Pergunta Milioneiro.
- Ele estava humilhando o Uminota de novo. - Conclui Teorino.
- Aquele menino é muito besta. Para que fazer isso com o coitado do menino? - Fala decepcionado Milioneiro.
- Para com isso Milioneiro. Todo mundo sabe que se o Dozenui querer você no grupinho dele você vai feito um cachorrinho. - Fala a menina rindo abraçada a Teorino.
- Eu não. - O casalzinho sai de mãos dadas. E Milioneiro fica para trás olhando triste para a cena.
Outro menino chega cumprimentando  Milioneiro.
- E ai Milioneiro? O que ouve com você?
- E ai  Uminota? Beleza?
- Sim cara. E ai? Quando vai entrar na guerra contra o Teorino para ficar com a Madelina?
- Tá louco? Eles são meus amigos. Agora a Madelina para mim é homem.
- O Teorino sabia que você era afim da Madelina e mesmo assim ficou com ela.
- Ele foi o melhor. Agora é paciência. A Madelina não é a unica mulher do mundo. - Diz Milioneiro não demonstrando isso na sua feição.
- Ok. Vamos para a aula que a dona Pliana já entrou.

Edinilma chega em casa e com a mãe. Odranoeti chega na frente abrindo a porta e a filha carregando as malas atrás. Mercelina corre para ajuda-la.
- Pode dizer para sua hospede que o quarto é meu. Se ela quiser a sala fica para ela.
- Deixa que eu te ajudo dona Edinilma. - Fala Mercelina pegando a maior mala.
- Ela já ia ficar na sala mesmo com o filho mãe. - Edinilma se vira para Mercelina e fala: - Já arrumou não é?
- Sim.
Wilemina chega da cozinha rolando a cadeira de rodas e Odranoeti a vê assustada. Não sabia que ela estava de cadeira de rodas.
- Bom dia. A senhora deve ser a mãe da Edinilma. Muito prazer, eu sou irmã de Rodrilberto.
- Engraçado. Ele nunca falou de irmã nenhuma. - Diz ela caminhando para sala junto de Wilemina. Ela não se abala e fala:
- É que estávamos brigados. Fugi de casa nova grávida. Mas eles não sabiam. - Edinilma e Mercelina assistiam o desempenho de Wilemina. Verdadeiramente ela era uma boa atriz. - Voltei a pouco tempo quando fiquei assim e meu irmão me acolheu.
- E o pai do menino? - Pergunta Odranoeti impertinente.
- Não soube que tive o filho também. Resolvi cria-lo sozinha.
- Mas vê no que dá. Se tivesse casado com ele não precisaria depender dos outros agora.
- Mamãe! - Reclama Edinilma.
- Meu irmão tem o dever de me ajudar senhora Odranoeti. Sua filha que como ótima pessoa que não precisava aceitar. Mas aceitou.
- É. Minha filha é boba mesmo. - Odranoeti vai para o banheiro deixando as três mulheres sozinhas.
- Me desculpe Wilemina. Minha mãe as vezes é insuportável.
- Tudo bem Edinilma. Eu já convivi com muitas pessoas como ela. E sei como lidar.



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Edinilma Marionete Godda Gustienon


Edinilma é uma esposa dedicada que vê seu destino abalado quando tem que conviver com a ex-namorada de seu marido e seu filho bastardo. Agora ela aprenderá como resolver seus problemas com calma e sem ansiedade com ajuda de sua nova empregada domestica.

Capitulo 9- Hospedes chegando

Edinilma para o carro de repente e olha para Wilemina.
- Não sei se estou fazendo o certo. Talvez eu vá me arrepender muito disso. Mas quero que você vá morar comigo e com Rodrilberto.
- O que? Você é louca? - Fala Wilemina surpresa.
- Não. Quero dizer, talvez seja loucura. Mas não posso deixar vocês morrerem a mingua.
- Eu não vou morrer a mingua! Eu vou dar conta de um jeito ou de outro.
- Cai na real Wilemina. Vocês não vão viver o resto da vida de marmitas de restaurante. E o Milioneiro ainda é uma criança. Tem é que estudar. E a pensão do Rodrilberto não é uma mina de ouro.
- Você quer mesmo que eu vá para sua casa.
- Não. De verdade eu não queria. Mas eu sou obrigada.
Wilemina pensa um pouco chocada com a situação e virando-se para Edinilma fala:
- Eu também vou aceitar porque estou sendo obrigada. Pelo menos até minha aposentadoria sair.
Edinilma olha para Wilemina. Também não estava sendo nada fácil para ela.
- Não vamos fazer disso um drama, ok? Quase não vamos nos ver. Eu e o Rodrilberto trabalhamos o dia inteiro.
Edinilma volta a dirigir o carro.

Rodrilberto chega do serviço em casa quando a noite já chegava.
- Amor, estou em casa. - Quando ele de repente se depara com Wilemina de frente a televisão do lado do filho.
- Oi Rodrilberto.
- Pai. Que bom que você chegou.
Ele está chocado estranhando. E Mercelina chega da cozinha trazendo uma bandeija de leite e bolachas.
- Seu Rodrilberto.
Rodrilberto puxa Mercelina pelo braço até a cozinha e pergunta os dois a sós.
- Não vai me dizer que a Edinilma resolveu aceitar a Wilemina ficar aqui.
- A sua esposa quer conversar com o senhor no quarto de vocês. Tenha calma e paciência com ela. Não está sendo nada fácil para ela.
- Me diga Mercelina! Para quem está sendo fácil essa situação?
- Para ninguém seu Rodrilberto. Por isso que devemos agir com a máxima calma.
- Eu estou calmo. Só estou...Nem sei o que estou sentindo com tudo isso.
- Orgulhoso da sua mulher?
Rodrilberto abre um sorriso.
- Como a senhora consegue falar as coisas tão certas Mercelina.
- Mas cuidado seu Rodriberto. Para dona Edinilma ela não se sente não orgulhosa assim. A aceitação de algo que não se quer não é um sentimento tão feliz assim.
Rodrilberto sai e passando pelo filho e Wilemina e sobe as escadas indo para seu quarto.
Ele abre a porta com cuidado e Edinilma está deitada. Ao ver a porta se abrir ela se vira. E fica o olhando.
Rodrilberto se aproxima e abraça a esposa.
- Você não tem noção do que estou sentindo por você meu amor.
- Rodrilberto, precisamos conversar. - Ela se desvencilha do abraço e fala com ele. - Não sei se estou sendo processiva demais com esse ato. Mas que se dane! Eu posso ser processiva nessa situação. Não quero ver você de conversinha com a Wilemina. Independente de tudo ela continua sendo uma ex-namorada sua. A mãe do seu filho...
- Edinilma você está sendo ridícula.
- Não! Não estou sendo ridícula...
- Eu te amo. E é você minha mulher! Não precisa ficar com ciúmes de alguém que eu gostei de alguém a séculos atrás. Eu sou um homem completamente diferente do que a Wilemina conheceu. E ela também é outra pessoa. E mesmo que fossemos. Eu fiz um juramento diante de Deus. E ninguém vai mudar isso.
Edinilma não aguentando mais o beija. Mas o telefone toca. E casal é obrigado a descer para a sala.
Todos na casa olham para Rodrilberto que atende o telefone.
- Alô? - Wilemina, Milioneiro, Mercelina e Edinilma olha para ele assustado. Pois vê a visionomia dele mudar. Ele entrega o telefone para Edinilma falando. - É a sua mãe. Parece que ela está chorando.
- Minha mãe?
Edinilma coloca o tefone no ouvido e uma voz estridente fala do outro lado:
- Filha! É você?
- Sou eu mãe. O que foi?
- Eu briguei com seu pai filha. Nos terminamos tudo. - Diz ela chorando do outro lado da linha. - Ele me expulsou de casa. Eu estou indo para i.
- O que? Não mãe!
- O que? Vai renegar abrigo para a sua mãe?
- Mãe! E que o quarto está ocupado. Nos temos hospedes.
- Hospedes? Que hospedes? Manda eles embora! Eu sou a sua mãe. E tenho mais direito que qualquer um. Amanhã de manhã estou chegando.
O telefone é desligado e Edinilma olha para todo mundo com o rosto transfigurado de medo.
- Ferrou! Minha mãe tá vindo pra cá.
- A não! Sua mãe não! - Diz Rodrilberto exageradamente apavorado.
- Meu Deus! - Diz Mercelina chocada.
Wilemina surpresa pergunta.
- Nossa gente. Que isso? A mulher é tão terrível assim?
- Você não entende. Ela é um monstro em forma de gente. - Diz Rodriberto nervoso.
- Vamos dizer que não é uma pessoa de fácil convivência. - Fala Mercelina tentando não exagerar muito.
- Imagine o que ela vai falar quando souber de tudo Rodrilberto. Vai fazer eu me separar de você!
- Souber de tudo o que? - Pergunta Milioneiro apavorado.
Wilemina já percebe tudo e fala:
- Calma Edinilma. Ela não precisa saber de nada. Podemos dizer que sou sua irmã. E meu filho seu sobrinho.
- Não é a melhor solução gente. A verdade é sempre o melhor método. - Fala Mercelina tentando acalmar o povo.
- Mas nesse caso não Mercelina. - Diz Rodrilberto nervoso.
- Mas não vai adiantar. Minha mãe sente cheiro de mentira. Ela futrica até achar a verdade.
- Minha mãe ficou sabendo que eu estava grávida só quando o Milioneiro tinha três anos. E olha que eu morava com ela. Deixe comigo. Eu sei esconder as coisas muito bem.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Capitulo 8- As coisas ficam mais complicadas do que pareciam.

Edinilma chega em casa. Rodrilberto estava no seu horário de almoço. A mulher chega nervosa com uma sacola na mão.
- O que foi amor?
- Gastei uma nota preta com os remédios da Wilemina. Pensei que fossem baratos.
- Nossa que exagero Edinilma. Deixa eu ver. - Fala ele pegando a nota fiscal. - O que é isso? Nem sabia que remédio poderia ter esse preço.
- Como a Wilemina vai conseguir pagar um remédio desse preço todo mês?
- Com a aposentadoria dela. Já resolveu isso? - Pergunta o marido colocando os pratos na mesa e começando a almoçar.
- Vou ir lá depois do almoço.

Na casa de Wilemina ela assistia televisão junto do filho. Quando alguém bate na porta. Wilemina vai para se levantar e lembra-se do seu estado. E bufando roda a cadeira até a porta:
- Mãe deixa que eu vou. - Fala Milioneiro assustado com a situação.
- Não. Fique ai.
Wilemina com dificuldade abre a porta.
- A comida que vocês pediram. - Fala o rapaz assustado com a mulher de cadeira de rodas.
- Obrigada. - Diz ela pegando com brutalidade.
Ela fecha a porta quase na cara do rapaz que olhava espantado vendo apenas ela e o filho. A mulher coloca as marmitas em cima da mesa. E vai até o armário.
- Mãe deixa eu fazer isso!
- Eu consigo Milioneiro. - Wilemina se aproxima do armário e olha para a porta aonde estavam os pratos. E ela tenta se esticar para poder alcançar a maçaneta da porta. E cai da cadeira.
- Mãe! - O menino corre até a mãe e a ajuda a se levantar.
- Vocês precisam de ajuda? - Diz o rapaz de fora da casa.
- Não. Obrigada! Pode ir! - Diz Wilemina tentando se controlar. Ela se afasta e deixa o filho pegar os pratos. Ele vai para colocar a comida. Wilemina tenta pegar da mão dele:
- Não. Eu faço!
- Pode deixar mãe. Eu consigo.
Milioneiro ganha. Wilemina estava fraca e frágil.
Edinilma se aproxima da casa novamente do carro. O rapaz ainda estava lá. E quando ele a vê, ele já fala com Edinilma de dentro do carro.
- Graças a Deus você chegou moça. A mulher ai dentro de cadeiras de rodas. Caiu.
- Caiu? - Edinilma desce do carro e abre a porta assustada.
Wilemina já com o prato na mão comendo do lado do filho fala nervosa:
- Que isso? Que invasão é essa?
- Desculpe Wilemina. É que o rapaz falou que você tinha caído.
O rapaz dentro da casa também fala:
- Mas ela caiu. Eu ouvi.
- Tudo bem. Agora que o senhor já fofocou para metade do bairro que eu cai. Pode ir embora. - Fala brutalmente Wilemina. O rapaz sai envergonhado.
Edinilma se vira para ele e fala constrangida:
-Obrigada.
Ele sai. Edinilma fecha a porta e se aproxima de Wilemina e Milioneiro.
- E ai? Alguém veio pelo anuncio para te ajudar?
- Não. Não veio ninguém.
- Parece que isso funciona só na televisão. - Fala Milioneiro mastigando um pedaço de frango.
- Aqui estão seus remédios. São bem mais caros que eu pensava. Almocem logo para eu poder levar vocês para o banco.

Já de frente a uma atendente do banco Edinilma se assusta com a fala da mulher:
- A senhorita vai precisar fazer esses exames para comprovar que não pode mais trabalhar.
- Mas mulher ela está de cadeiras de rodas. - Fala Edinilma nervosa. - Quer comprovante maior que esse?
- O médico já será marcado ali do lado. O prazo minimo são de cinco a quatro meses. Obrigada.
- O que? Vai demorar isso tudo para eu aposentar?
- Não. Isso demorará para você conseguir se consultar com o médico. Que encaminhará para os exames. E depois marcaremos de novo a consulta para confirmação.
- Mas já temos um atestado do meu médico.
- Tem que ser um médico do governo. E o seu não é.
Edinilma e Wilemina sai atordoadas do banco e entram no carro.
- Quando eu conseguir me aposentar o Milioneiro já vai precisar se aposentar. - Fala Wilemina. - Como vou comprar meus remédios, sustentar a minha casa. O Milioneiro vai ter que arrumar um emprego.
Edinilma olha assustada para a cena. Não teria outro jeito.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Capitulo 7 - A volta para casa

Rodrilberto abre a  porta do quarto novamente. Edinilma está deitada na cama de costas para a porta e seus soluços de choro se percebem pela movimentação dos seus ombros.
Rodrilberto se senta na cama. Estava envergonhado da atitude idiota que tinha tomado. Mas como pedir desculpas?
- Eu estava errado e você certa mais uma vez meu amor.
Esse foi o ponta-pé para Edinilma levantar cheia de lágrimas nos olhos:
- Você é muito idiota Rodrilberto! Você não me merece! Sabia?
- Eu sei Edinilma. Mas estou nervoso. Tudo isso acontecendo...
- Isso também está acontecendo comigo! Meu marido, que casei pensando que iria ser só meu, agora tenho que dividi-lo. Eu pensava que eu que te daria um filho. Mas você já tem.
- Mas eu continuo querendo um filho com você.
- Como vou saber qual você vai amar mais.
- Isso não existe Edinilma. Eu não vou amar um mais que o outro.
- Isso não é justo Rodrilberto. As outras mulheres sabem que casaram com um homem que tinha filhos. Se preparam para poder ter que dividi-los... Eu não. Eu fui surpreendida.
- Eu também queria que fosse diferente Edinilma. Eu também fui surpreendido. E entendo que para você está sendo difícil. Mas estamos no mesmo barco meu amor. Nos somos casados, sempre estaremos no mesmo barco. Não me coloque como um inimigo. - Falando isso Edinilma se acalmou e o abraçou.
- Eu não estou te colocando como um inimigo. Só estou assustada com tudo que aconteceu. Estou fragilizada. E estou com medo de nosso casamento criar rachaduras.
- Isso só vai acontecer se você deixar. Porque eu não vou deixar. Nem vou colocar nosso casamento em risco. Vamos ver como a Wilemina e o Milioneiro se viram sozinhos. Mas eu vou ajuda-los como posso.
Edinilma se devencilha do abraço com calma e um sorriso.
- Tudo bem. Você precisa ajuda-lo. É seu filho.

No dia seguinte a porta do quarto do hospital se abre. Wilemina se vira na cama e vê entrando pelo quarto seu filho.
- Mãe! - Que corre para abraça-la.
- Milioneiro! - Ela abraça o filho com carinho. - Fiquei com medo de não vir. - Wilemina olha para porta aonde Edinilma está.
- Bom dia Edinilma?
- Bom dia Wilemina. Eu e seu filho vinhemos te buscar para te levar para casa. Você recebe alta hoje, não é?
- Sim o médico falou foi isso.
- A minha empregada foi dar uma arrumadinha na casa de vocês. Mas depois iremos contratar uma só pra te ajudar.
- Não vai ser fácil chegar lá e ver aquela casa vazia. - Diz Wilemina triste.
- Mas você vai ter seu filho para te alegrar. - Diz Edinilma esfregando a cabeleira de Milioneiro. Que olhava triste para a mãe. - Vamos passar no banco para dar entrada na sua aposentadoria.
- Tudo certo. - Diz Wilemina sorrindo para Edinilma. - Obrigada por tudo que está fazendo. Sei que não deve ser fácil.
- As coisas estão bem mais difíceis para você do que pra mim. E não custa nada ajudar.
- Se eu tivesse no seu lugar, sei que não fária o mesmo.
- Somos pessoas diferentes.
O médico abre a porta com um grande sorriso.
- Wilemina, vejo que está em ótima companhia.
- Dr. Maximilinário a senhora Edinilma é uma mulher casada. - Diz Wilemina rindo deixando constrangidos Edinilma e o próprio médico.
- Não quis dizer isso. Falo do seu filho.
- Ou sim. - Fala Wilemina com um sorriso malicioso para Edinilma que com vergonha olhava apenas para as pontas dos pés. Mas Wilemina ainda não se deu por vencida. - Edinilma, esse é meu médico, dr. Maximilinário.
O médico apesar do constrangimento não queria ser indelicado e cumprimenta Edinilma.
- Mas eu já o conhecia. Quando você ainda estava dormindo ele me deu a noticia de que a cirurgia tinha sido realizada.
- Muito bem. Mas e ai doutor? Eu vou poder sair desse hospital.
- Sim Wilemina. Você pode. Mas toda semana virá para cá, fazer fisioterapia. Para conseguir voltar a andar.
- É claro doutor.
- E aqui está a lista dos remédios que terá que comprar.
Wilemina pega a lista de remédios e coloca na bolsa.
- Isso é lógico, além da cadeira de rodas. Aqui está o endereço de um bom lugar. Você poderá ficar com a do hospital por um semana.
Edinilma fica preocupada com isso e se vira para Max.
- Mas é muito caro doutor essa cadeira.
- É um preço bastante salgado. Mas você pode achar usadas.
- Vamos dar um jeito doutor. - Fala Wilemina séria. - Não se preocupe.
- Vou pedir para um enfermeira trazer a cadeira de rodas.
Wilemina estava forte a todo momento. Parecia que não andar era apenas um detalhe de sua vida corriqueira. Mas no momento em que a enfermeira chegou com a cadeira de rodas, as lágrimas correram no seu rosto. Todos esperavam ela se acalmar. Max é que se aproximou dela dizendo:
- Vamos Wilemina?
- Calma!
Max se abaixou até ela e falou.
- Não faça dela um bicho de sete cabeças. É só um auxilio enquanto você não poder se locomover sozinha. A cadeira não é sua inimiga. É sua amiga.
Ela chorando se senta na cadeira. Milioneiro segurando firme a mão de Edinilma via a cena apavorado.
No carro Wilemina sentada no banco do carona ao lado de Edinilma que dirigia tinha o olhar perdido e triste. Edinilma sempre preocupada a olhava e para menino no banco de trás.
Chegando na casa, Edinilma desligou o carro e saiu para fora. Tirou a cadeira de rodas do porta-malas do carro e colocou do lado do passageiro. Abriu a porta e olhou para Wilemina com o olhar perdido. O sol batia forte no rosto de Edinilma e a fome no estomago dela.
- Precisa de ajuda Wilemina?
Wilemina acorda e se vira com o olhar corajoso.
- Não. Obrigada Edinilma. - E tenta sair do carro sozinha. Só que quase cai. Edinilma segura a cadeira. Mas logo acaba e segurando Wilemina pelos braços e colocando na cadeira. Milioneiro já do lado de fora do carro vê a cena se preparando para ajudar. Mas Edinilma conseguia sozinha. Ele abre a porta de casa preocupado enquanto Edinilma carregava a cadeira para dentro da casa com Wilemina em cima. Mas antes de chegar a porta Wilemina fala quase nervosa:
- Pode deixar. Eu consigo.
Edinilma solta a cadeira. Estava exausta. E não sabia direito o que deveria ou não fazer. Wilemina com dificuldade entra em casa rolando as rodas da cadeira. E chora ao ver a casa que era toda decorada com carinho pela sua mãe.
Edinilma carinhosa se aproxima e fala:
- Você quer que eu faça comida? Quer que eu prepare seu banho?
- Não obrigada Edinilma. Você já fez muito. Eu peço alguma coisa pelo telefone.
- Eu coloquei um anuncio no jornal. Logo vai aparecer alguém aqui interessada na vaga de enfermeira. Para ficar com você. Te ajudar.
- Ok. Vou estar esperando.
- Eu vou comprar os remédios e vou dar uma olhada nas cadeiras depois do almoço. De tarde eu passo aqui. E vamos ver o negocio da sua aposentaria também.
- Obrigada Edinilma, mais uma vez. Mas agora eu gostaria de ficar sozinha, com meu filho, e a casa que foi dos meus pais.
- Ou sim. Claro.
Edinilma sem graça vai saindo da casa quando vê num porta retrato na mesinha de centro um retrato conhecido. Era de Rodrilberto bem novo. Numa foto antiga. Ela pega a foto e olha estranhando.
- É o meu marido?
- Sim. - Diz Miloneiro indo até a foto e a pegando da mão de Edinilma. - Tenho desde pequeno.
Wilemina se aproxima do filho e o abraça. Quase como se protegesse a foto de Edinilma.
- Deixei a foto com o menino e ele quis colocar no porta-retrato. Ele precisava de uma visão de como era seu pai.
- Está certo. -Diz Edinilma disfarçando um sorriso. - Tchau. Volto mais tarde.
Edinilma sai nervosa pensando se seu ciumes foi muito exagerado... ou não.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Capitulo 6 - Ângulos do Problema

O velório de Wilsonita e Mailton estava surpreendentemente vazio. Tinha apenas a vizinha deles, dona Rosinildanete. Uma senhora gordinha que não parava de criticar o tom da pele da defunta e como seu Mailton parecia apertado no caixão. Também estava lá seu Astolfeno, colega de trabalho de Mailton. E que tinha se aposentado na mesma época que o falecido. O pobre senhor não parava de chorar.
E finalmente estava lá Rodrilberto, o Milioneiro que não parava de  chorar e Mercelina a empregada.
Edinilma estava no hospital esperando Wilemina acordar. E ela acordou enquanto Edinilma lia um livro na cabeceira do leito.
- Quem é você? - Pergunta a voz nervosa e triste.
Edinilma assustada coloca o livro de lado na cama e apavorada por alguns minutos fica sem saber o que falar.
- Que lugar é esse? Onde estou?
- Wilemina, você passou por uma cirurgia e está no hospital. Eu sou Edinilma, sou esposa do Rodrilberto. Você se lembra?
- Sim. Mas o que você faz aqui? Cadê minha mãe? Meu pai?
Edinilma respira fundo e olha fundo nos olhos  da mulher.
- Wilemina seus pais faleceram ontem a noite.
Edinilma viu a feição apavorada de Wilemina ficar mais aterrorizada ainda.
- Não...
- Eu e o Rodrilberto estamos cuidando de tudo. Ele e seu filho estão no velório deles agora. Não tinhamos número de ninguém da sua família. E então...
- Não temos ninguém! - Disse a mulher chorando de raiva misturado com desespero. - Eramos só nos quatro.
- Fique calma Wilemina. Você não pode se alterar. Acabou de sair de uma cirurgia muito complicada.
- Porque tudo tem que acontecer ao mesmo tempo comigo? - Diz ela chorando.
- Calma Wilemina. A sua cirurgia foi concluida. O Tumor foi retirado com sucesso. Mas aconteceu algo...
Wilemina olha assustada para Edinilma. E logo começa a tocar as pernas.
- Eu não as sinto? O que aconteceu?
- Os médicos disseram que você poderá voltar a andar. -Diz Edinilma já chorando também sentida com o drama que aquela mulher estava vivendo.
- Eu preciso andar. Eu não posso ficar sentada. Meu filho precisa de mim.
- Calma Wilemina. - De repente pelos berros da mulher uma enfermeira abre a porta nervosa.
- O que você fez? Era para deixar ela calma!
Edinilma sai chorando no corredor do hospital enquanto a enfeira aplicava um sedativo em Wilemina que chorava aos berros. Edinilma se no corredor tentava limpar as lágrimas que teimavam em cair.

Em sua casa Edinilma sentada na cama com os cabelos molhados depois de um banho secava-os com uma toalha. Rodrilberto entra no quarto e fala:
- Milioneiro está dormindo. Os médicos disseram que a Wilemina só vai acordar amanhã. E logo receberá alta.
- Eu juro que tentei contar da melhor forma possível Rodrilberto...
- Isso não importa meu amor. Você fez o melhor que pode. Nem precisava...
- O que vamos fazer Rodrilberto? Ela está praticamente curada. Vai querer o filho dela de volta.
- Ela não tem condições de cuidar do Milioneiro Edinilma.
- O menino não tem cinco anos Rodrilberto. Já tem treze anos. Eles podem se virar sozinhos.
- Eu não queria que meu filho passasse por isso. Eu poderia fazer mais...
- O que você quer fazer? Traze-los aqui para dentro de casa? - Pergunta Edinilma nervosa. - O menino tudo bem. Mas não vou aceitar uma ex-namorada sua na minha casa Rodrilberto! E ela vai precisar do filho dela. Ele precisa passar por isso.
- Ok. É seu direito não querer. Mas descobri que você é muito egoísta Edinilma!
Ele sai nervoso do quarto deixando Edinilma sozinha. Rodrilberto na sala andava de um lado para o outro. Mercelina se aproxima com calma.
- Senhor Rodrilberto não deu para não ouvir a conversa de vocês...
- É logico que era impossível não ouvir Mercelina. A Edinilma só sabe discutir gritando. - Fala ele alto para a mulher escultar.
- Se acalme senhor Rodrilberto. Não é certo agir assim de cabeça quente. Nem falar.
- Mas a Edinilma é muito egoísta e só pensa nela.
- O senhor já parou para pensar que está julgando a sua esposa muito mau. Todos estão numa situação muito difícil. E numa hora dessas devemos julgar apenas nos mesmos e ver qual atitude certa tomar.
- Mas a atitude certa é trazer a Wilemina e o Milioneiro aqui para casa!
- Tem certeza disso? Não é o momento de ter paciência e ver se eles dão conta sozinhos primeiro. O senhor pode ajudar. Mas não precisa pegar essa carga nas costas. Não é assim que o senhor vai conseguir voltar atrás no passado. A sua esposa é a Edinilma, e é ela que você deve proteger e amar. Seu filho também, é lógico. Mas ele não é tão pequeno assim. Ele pode aprender muito com essa situação. Além de que a Wilemina vai receber uma aposentadoria muito boa. Além da pensão que você vai pagar para seu filho.  Dá para eles contratarem alguém para cuidar da Wilemina e o menino pode ter uma vida normal.
Não é justo você falar que sua esposa é egoísta  Ela largou tudo para ficar com você no hospital e cuidar do menino no final de semana.
Rodrilberto para e vê a situação de outra forma.
- Você tem razão. Estava com tanto medo e raiva da peça que o destino pregou na gente que não tendo ninguém para descontar essa raiva. Fui descontar na pessoa que mais amo. Como não pude pensar nessas coisas Mercelina?
- É porque agente é acostumado a ver só um lado dos nossos problemas. O nosso. E temos de aprender a ver o problemas pelos vários ângulos que existe para poder resolve-los da melhor forma possível. Um labirinto é sempre mais fácil de sair vendo por cima do que  por dentro dele.




sábado, 20 de outubro de 2012

Capitulo 5 - Um destino inevitável

Rodrilberto ainda com o telefone celular no ouvido olhou para Milioneiro ainda dormindo em seu colo, olhou para a esposa que acordava preocupada. Seu rosto demonstrava claramente que outra tragedia tinha acontecido. Ele desligou o celular e se virou para Edinilma falando meio gaguejando:
- Você fica aqui com Milioneiro. Qualquer noticia você me liga.
- O que aconteceu Rodrilberto?
- Eu vou...- Diz Rodrilberto chocado. - Eu não posso... - Ele se levanta deixando o menino dormindo na poltrona do hospital.
Edinilma preocupada também se levanta e vai até o marido que se afastava aturdido.
- Calma meu amor. Me explique o que está acontecendo.
- Os avos do Milioneiro... acabaram de...
- O que aconteceu com eles?
- Um acidente...
- O que? - Pergunta Edinilma assustada olhando para o menino para confirmar que ele estava dormindo. - Mas eles estavam agora...
- Eles morreram. Querem que eu vá lá no I.M.L ou que contate um familiar.
- Mas como? Eles tem outra pessoa?
-Eu não sei Edinilma. Eu vou ir lá e tentarei resolver. Você fica aqui com o Milioneiro. Não conta nada pra ele. Se o médico chegar com noticias sobre a Wilemina você me liga.
Edinilma não podia acreditar vendo o marido correr pelo corredor do hospital para fora. Já amanhecia segunda feira. Segunda feira era para ela voltar a sua vida normal. Sem ter que dividir Rodrilberto com ninguém. Só com o serviço. Teria que ligar para o serviço dele e dela para avisarem que não poderão ir.
Ela com calma pegou o celular e ligou:
- Alô?
- Edinilma. - Era a voz de Carina, amiga do serviço de Edinilma. - O que ouve?
- Você vai ter que me ajudar amiga. Não vou poder ir para o serviço hoje.
- Porque não? Aconteceu alguma coisa com o menino? Eu falei para você que não ia ser fácil.
- Mas a coisa é mais complicada do que isso Carina. A mãe do menino está no hospital e estavamos aqui enquanto os avos do menino fosse buscar algo em casa. Acontece que aconteceu um acidente e parece que os velhos morreram.
- O que? - Esse o que não vinha do telefone. Vinha de trás de Edinilma. E era a voz de Milioneiro que tinha acordado e escultado toda a conversa.
- Carina preciso desligar. - Edinilma desliga o telefone e se vira para ver a cara de choro do menino.

No I.M.L Rodrilberto falava com um policial.
- Eu fui namorado da filha deles quando estava na escola. E estava no hospital com a filha dela enquanto iam buscar algo em casa. Mas não conheço ninguém da família deles. Muito menos amigos.
- O celular deles não tinha agenda senhor Rodrilberto. Não tem nenhum vestígios de outros familiares deles. Você terá que reconhecer os corpos e pelo jeito cuidar da filha deles também.

O médico chega na sala de espera onde Edinilma tentava acalmar o menino que chorava.
- Senhora Wilsonita? - Grita o médico a procura da avó de Milioneiro.
Edinilma se levanta e fala:
- Ela saiu... - O que poderia dizer mais além disso. - Eu estou responsável pela paciente. Meu nome é Edinilma.
- Senhora Edinilma. A paciente Wilemina, acabou de sair de uma cirurgia. Tentamos remover o tumor. E conseguimos. Mas ela entrou em coma na sala de cirurgia.
- E isso é ruim doutor?- Pergunta Edinilma ignorante sobre o caso.
- Ela pode ficar dormindo por muito tempo ou pode acordar amanhã. Mas uma coisa é certa. A cirurgia como tinhamos explicado para a paciente poderia afetar os seus movimentos. E afetou. Ela não poderá andar.
- Meu Deus doutor. O que será dela? E do filho dela? Os pais da paciente acabaram de morrer.
- Ela precisará ter alguém do lado dela o tempo todo. Será uma faze bem difícil para vocês.
- Para mim não. Eu não sou nada dela!
- Para os famíliares.
- Mas nos não temos mais ninguém. - Diz o menino desesperado.
Edinilma olha desesperada para a sua situação. Teria que arcar com esse peso tão grande. Cuidar da ex-mulher do marido, e do filho de ambos?


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Capitulo 4 - Outro desastre

Rodrilberto olha firme para seu filho. Ele tinha lagrimas nos olhos. Esperava o pior. Rodrilberto fala sério após colocar o telefone no gancho.
- Milioneiro, sua mãe passou mau. Está no hospital. Seu avô está com ela. Sua avó está indo para lá.
- Eu quero ir para lá. Me leva lá pai. - Diz o menino soluçando de tanto chorar.
- Ela não quer que você veja ela daquele estado meu filho. A situação não está boa para ela.
- Não importa o que ela quer! Eu tenho direito! Ela é minha mãe! - Diz o menino aos berros.
Edinilma assustada vai para o lado do marido para tentar consola-lo e fala para acalmar o garoto.
- Milioneiro, tente entender. É muito difícil para uma mãe se ver não debilitada perto de um filho que ela que deveria cuidar dele.
- Não importa. Sempre tivemos que fazer sempre a decisão da mamãe. E ela sempre tomou decisões idiotas. E uma delas é essa. Não é justo. - O garoto corre subindo as escadas e o casal fica no meio da casa sem saber o que fazer.
Quando surge Mercelina pela porta da cozinha.
- Desculpe entrar no assunto de vocês, mas preciso dar minha opinião.
- Fale Mercelina, o que precisamos é exatamente disso. Um conselho. - Fala Rodrilberto nervoso.
- Acho que vocês devem levar o menino. Apesar da mãe ter dito isso, as vezes é só uma forma de proteger o filho. Mas ela deseja ter o filho perto dela nessa hora. E além de os pais da Wilemina não terem uma idade boa para passar a noite no hospital. Vocês podiam ir lá e dar esse apoio.
Os dois olham para si.
Rodrilberto sobe as escadas até o quarto do menino. E com carinho fala:
- Filho, posso entrar?
- Eu quero ver minha mãe! - Diz ele deitado de bruços com a cabeça enfiada no travesseiro.
- Nos vamos vê-la. - Com Rodrilberto falando isso Milioneiro se vira com os olhos vermelhos de tanto chorar. - Só que você vai precisar ser forte. Sua mãe pediu para você não vê-la porque sabia que você ia ficar desse estado perto dela. Então se mostre forte diante dessa situação.
- Mas minha mãe vai morrer pai!
- Ninguém sabe Milioneiro. E se ela tiver mesmo que ir... Nos não podemos fazer nada. Isso é a única coisa que não podemos fazer nada Milioneiro. Devemos apenas aceitar que essa pessoa tão querida para nos passou por esse véu misterioso. Essa pessoa apenas descobriu o mistério do mundo. O segredo que todos querem descobrir... e que todos um dia vamos descobrir. Ela apenas vai descobrir mais cedo que nós.
Não diga a ela "Adeus". Diga "Até logo". Um dia iremos todos nos encontrar e rir de nossos medos por fazer essa passagem. Como meninos que tem medo de pular num rio gelado. E quando estão lá dentro riem e brincam nem se lembrando que a água era tão gelada.

O carro andava pela rua. Edinilma olhava para o marido dirigindo o carro. Não entendia porque tinha que passar por tudo isso. Eles deveriam era ser felizes para sempre, terem filhos. Mas não podia culpa-lo ou culpar o garoto. Era apenas o destino trilhando seu tortuoso caminho de ensinamentos.


USA, Utah, Ogden, Senior people holding hands in hospital


Ao chegar ao hospital um casal de idosos estava na porta do hospital chorando. A madrugada não prometia noites de sono a ninguém. O menino ao ver os avos sai correndo do carro e os abraça. Edinilma e Rodrilberto saem do carro tristes e se aproximam.
- Então você é o Rodrilberto? Sabia que viria mesmo assim. Ouvimos falar menos do que queríamos sobre você. - Fala a senhora.
- Se soubéssemos aonde morava. Iria lá nos primeiros meses de gravides da Wilemina. - Completa o senhor de idade.
Edinilma pensa que se isso tivesse acontecido eles não estariam casados. E Rodrilberto estaria sofrendo muito mais vendo a esposa morrer.
- Se eu soubesse eu iria falar com vocês. Não precisariam vir atrás de mim. - Diz Rodrilberto sério.
- Mas o que importa é que vocês finalmente chegaram. Meu marido não está bem. Com a confusão esqueceu o remédio em casa. E vamos busca-lo.
- Onde está minha mãe? - Pergunta o menino apreensivo.
- Está na U.T.I. Meu pequeno e não podemos vê-la. Mas precisava ficar alguém aqui para saber noticias. Voltaremos logo. Ai poderão ir embora.
- Podem ficar tranquilos. Não sairemos daqui, enquanto não chegarem. - Diz Edinilma que foi agradecido por um sorriso da mulher.
Os dois idosos entram dentro do carro. Rodrilberto e Edinilma se sentam num banco e o menino recosta nos braços do pai. Logo o Milineiro cai no sono e desce a cabeça, usando as pernas do pai como travesseiro. Rodrilberto se vira sonolento também e vê que Edinilma também no seu ombro também dormia. E sem forças também dorme. Logo o seu celular toca. Fazendo o despertar assustado. Ele esfrega os olhos. Olha nas horas do relógio do célular. Já iria amanhecer. O celular tocava. Mas Rodrilberto olha para os lados para procura dos pais de Wilemina. Ele atende e é a voz de Mercelina.
- Senhor Rodrilberto?
- Sim Mercelina? O que foi?
- Tentei ligar para você a noite toda.
- O que aconteceu?
- A policia ligou. Aconteceu um acidente na estrada com os pais de Wilemina. Eles ligaram para o ultimo número chamado do celular da senhora Wilsonita. Eles morreram.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Capitulo 3 - Um final de semana prolongado

A primeira visita de Milioneiro a casa do pai não foi lá tão emocionante assim. O menino era tímido e não gostava muito de bola... o que Rodrilberto não gostou muito. Pois foi exatamente isso que ele tinha comprado para brincar com  o filho na primeira semana que Wilemina deixou Milioneiro ir a casa deles.
Ela o deixou logo no primeiro final de semana depois de ter lhe falado a noticia. O carro apenas estacionou na porta de casa e o menino saiu. O carro saiu rapidamente apenas esperando o menino tirar a mala de dentro  do carro.
Rodrilberto e Edinilma saíram de casa ansiosos e foram conhecer o menino.
- Bom dia Milioneiro? Tudo bem com você? - Diz o pai com carinho.
- Tudo. Eu posso entrar? - Perguntou o menino como se aquela pergunta fosse na verdade a fala: "Eu posso participar da sua vida de agora em diante?".
- É claro que pode. Essa é a casa do seu pai. - Diz Rodrilberto com calma. - Mas antes quero que conheça a minha esposa. O nome dela e Edinilma e quero que a trate como se fosse sua mãe.
- É claro. - Diz tentando esboçar um sorriso. E entrando para dentro de casa.
O casal olhou triste para o menino. Mas logo Rodrilberto se apressou em ajuda-lo a carregar a pesada mala e subir as escadas para lhe apresentar o seu quarto que tinha sido reservado a ele.
Edinilma ficou sozinha na sala e já ia caminhar para subir as escadas também quando Mercelina surge da cozinha falando:
- Não dona Edinilma. Dê um tempo só para os dois.
Edinilma surpresa se virou.
- Oras Mercelina eu só quero ir ver se precisam de alguma coisa.
-Eles precisam de um tempo para ficarem sozinhos e conversarem. De agora em diante a senhora vai ter que a aprender a dividir o seu Rodrilberto com o filho dele. E isso não será fácil.
- Não seja boba. Nós seremos a família desse menino agora.
- Sim. Vocês serão a família dele. Mas você dona Edinilma por mais que queira jamais vai substituir a mãe dele. A senhora tem que colocar isso na sua cabeça. Tente vê-lo como um amigo. E não como um filho. Será mais fácil para todos.
- Nossa, Mercelina. Você podia ser mais positivista diante dessa situação.
- Vai ter seus lados bons também. Só estou lhe preparando para as coisas ruins. Mas as coisas boas viram também. Deus não colocou esse menino no seu caminho atoa. E esse motivos viram a tona em algum momento.
- Você fala de um jeito mulher. Parece que quer prever o futuro.
- São coisas que devemos estar preparadas.
O final de semana passou e a noite de domingo também. O menino sempre quieto. Gostava muito de ver televisão. O que deixou o pai  Rodrilberto um pouco decepcionado. Chegando o domingo deixou um gostinho de... poderiamos ter mais tempo.
Mas não tinha. A noite tinha chegado e a hora de buscar Milioneiro também. Mas nada de Wilemina chegar.
Rodrilberto ligou várias vezes para o número que o menino tinha da mãe. E nada dela atender.
Até que em umas das tentativas uma voz que não era de Wilemina atendeu:
- Olá?
- Oi. Esse telefone é da casa da  Wilemina?
- É sim. Aqui quem fala é a mãe dela. Você deve ser o pai do filho dela.
- Sim sou eu. Aconteceu alguma coisa? - Perguntou Rodrilberto com medo da resposta.
- Sim aconteceu. A Wilemina passou muito mau e foi parar no hospital. Estamos com ela. Ela pediu que você ficasse com o menino até que ela melhore...- a mulher começou a chorar...- E se caso ela não melhorasse que você não deixa-se o menino a vê-la. Cuide dele...
A ligação tinha caído. Rodrilberto do outro lado da linha ficou paralisado diante da noticia. O filho assustado do outro lado da linha queria saber já preocupado com  a notícia pior do que aquela.