segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Capitulo 6 - Ângulos do Problema

O velório de Wilsonita e Mailton estava surpreendentemente vazio. Tinha apenas a vizinha deles, dona Rosinildanete. Uma senhora gordinha que não parava de criticar o tom da pele da defunta e como seu Mailton parecia apertado no caixão. Também estava lá seu Astolfeno, colega de trabalho de Mailton. E que tinha se aposentado na mesma época que o falecido. O pobre senhor não parava de chorar.
E finalmente estava lá Rodrilberto, o Milioneiro que não parava de  chorar e Mercelina a empregada.
Edinilma estava no hospital esperando Wilemina acordar. E ela acordou enquanto Edinilma lia um livro na cabeceira do leito.
- Quem é você? - Pergunta a voz nervosa e triste.
Edinilma assustada coloca o livro de lado na cama e apavorada por alguns minutos fica sem saber o que falar.
- Que lugar é esse? Onde estou?
- Wilemina, você passou por uma cirurgia e está no hospital. Eu sou Edinilma, sou esposa do Rodrilberto. Você se lembra?
- Sim. Mas o que você faz aqui? Cadê minha mãe? Meu pai?
Edinilma respira fundo e olha fundo nos olhos  da mulher.
- Wilemina seus pais faleceram ontem a noite.
Edinilma viu a feição apavorada de Wilemina ficar mais aterrorizada ainda.
- Não...
- Eu e o Rodrilberto estamos cuidando de tudo. Ele e seu filho estão no velório deles agora. Não tinhamos número de ninguém da sua família. E então...
- Não temos ninguém! - Disse a mulher chorando de raiva misturado com desespero. - Eramos só nos quatro.
- Fique calma Wilemina. Você não pode se alterar. Acabou de sair de uma cirurgia muito complicada.
- Porque tudo tem que acontecer ao mesmo tempo comigo? - Diz ela chorando.
- Calma Wilemina. A sua cirurgia foi concluida. O Tumor foi retirado com sucesso. Mas aconteceu algo...
Wilemina olha assustada para Edinilma. E logo começa a tocar as pernas.
- Eu não as sinto? O que aconteceu?
- Os médicos disseram que você poderá voltar a andar. -Diz Edinilma já chorando também sentida com o drama que aquela mulher estava vivendo.
- Eu preciso andar. Eu não posso ficar sentada. Meu filho precisa de mim.
- Calma Wilemina. - De repente pelos berros da mulher uma enfermeira abre a porta nervosa.
- O que você fez? Era para deixar ela calma!
Edinilma sai chorando no corredor do hospital enquanto a enfeira aplicava um sedativo em Wilemina que chorava aos berros. Edinilma se no corredor tentava limpar as lágrimas que teimavam em cair.

Em sua casa Edinilma sentada na cama com os cabelos molhados depois de um banho secava-os com uma toalha. Rodrilberto entra no quarto e fala:
- Milioneiro está dormindo. Os médicos disseram que a Wilemina só vai acordar amanhã. E logo receberá alta.
- Eu juro que tentei contar da melhor forma possível Rodrilberto...
- Isso não importa meu amor. Você fez o melhor que pode. Nem precisava...
- O que vamos fazer Rodrilberto? Ela está praticamente curada. Vai querer o filho dela de volta.
- Ela não tem condições de cuidar do Milioneiro Edinilma.
- O menino não tem cinco anos Rodrilberto. Já tem treze anos. Eles podem se virar sozinhos.
- Eu não queria que meu filho passasse por isso. Eu poderia fazer mais...
- O que você quer fazer? Traze-los aqui para dentro de casa? - Pergunta Edinilma nervosa. - O menino tudo bem. Mas não vou aceitar uma ex-namorada sua na minha casa Rodrilberto! E ela vai precisar do filho dela. Ele precisa passar por isso.
- Ok. É seu direito não querer. Mas descobri que você é muito egoísta Edinilma!
Ele sai nervoso do quarto deixando Edinilma sozinha. Rodrilberto na sala andava de um lado para o outro. Mercelina se aproxima com calma.
- Senhor Rodrilberto não deu para não ouvir a conversa de vocês...
- É logico que era impossível não ouvir Mercelina. A Edinilma só sabe discutir gritando. - Fala ele alto para a mulher escultar.
- Se acalme senhor Rodrilberto. Não é certo agir assim de cabeça quente. Nem falar.
- Mas a Edinilma é muito egoísta e só pensa nela.
- O senhor já parou para pensar que está julgando a sua esposa muito mau. Todos estão numa situação muito difícil. E numa hora dessas devemos julgar apenas nos mesmos e ver qual atitude certa tomar.
- Mas a atitude certa é trazer a Wilemina e o Milioneiro aqui para casa!
- Tem certeza disso? Não é o momento de ter paciência e ver se eles dão conta sozinhos primeiro. O senhor pode ajudar. Mas não precisa pegar essa carga nas costas. Não é assim que o senhor vai conseguir voltar atrás no passado. A sua esposa é a Edinilma, e é ela que você deve proteger e amar. Seu filho também, é lógico. Mas ele não é tão pequeno assim. Ele pode aprender muito com essa situação. Além de que a Wilemina vai receber uma aposentadoria muito boa. Além da pensão que você vai pagar para seu filho.  Dá para eles contratarem alguém para cuidar da Wilemina e o menino pode ter uma vida normal.
Não é justo você falar que sua esposa é egoísta  Ela largou tudo para ficar com você no hospital e cuidar do menino no final de semana.
Rodrilberto para e vê a situação de outra forma.
- Você tem razão. Estava com tanto medo e raiva da peça que o destino pregou na gente que não tendo ninguém para descontar essa raiva. Fui descontar na pessoa que mais amo. Como não pude pensar nessas coisas Mercelina?
- É porque agente é acostumado a ver só um lado dos nossos problemas. O nosso. E temos de aprender a ver o problemas pelos vários ângulos que existe para poder resolve-los da melhor forma possível. Um labirinto é sempre mais fácil de sair vendo por cima do que  por dentro dele.




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