terça-feira, 23 de outubro de 2012

Capitulo 7 - A volta para casa

Rodrilberto abre a  porta do quarto novamente. Edinilma está deitada na cama de costas para a porta e seus soluços de choro se percebem pela movimentação dos seus ombros.
Rodrilberto se senta na cama. Estava envergonhado da atitude idiota que tinha tomado. Mas como pedir desculpas?
- Eu estava errado e você certa mais uma vez meu amor.
Esse foi o ponta-pé para Edinilma levantar cheia de lágrimas nos olhos:
- Você é muito idiota Rodrilberto! Você não me merece! Sabia?
- Eu sei Edinilma. Mas estou nervoso. Tudo isso acontecendo...
- Isso também está acontecendo comigo! Meu marido, que casei pensando que iria ser só meu, agora tenho que dividi-lo. Eu pensava que eu que te daria um filho. Mas você já tem.
- Mas eu continuo querendo um filho com você.
- Como vou saber qual você vai amar mais.
- Isso não existe Edinilma. Eu não vou amar um mais que o outro.
- Isso não é justo Rodrilberto. As outras mulheres sabem que casaram com um homem que tinha filhos. Se preparam para poder ter que dividi-los... Eu não. Eu fui surpreendida.
- Eu também queria que fosse diferente Edinilma. Eu também fui surpreendido. E entendo que para você está sendo difícil. Mas estamos no mesmo barco meu amor. Nos somos casados, sempre estaremos no mesmo barco. Não me coloque como um inimigo. - Falando isso Edinilma se acalmou e o abraçou.
- Eu não estou te colocando como um inimigo. Só estou assustada com tudo que aconteceu. Estou fragilizada. E estou com medo de nosso casamento criar rachaduras.
- Isso só vai acontecer se você deixar. Porque eu não vou deixar. Nem vou colocar nosso casamento em risco. Vamos ver como a Wilemina e o Milioneiro se viram sozinhos. Mas eu vou ajuda-los como posso.
Edinilma se devencilha do abraço com calma e um sorriso.
- Tudo bem. Você precisa ajuda-lo. É seu filho.

No dia seguinte a porta do quarto do hospital se abre. Wilemina se vira na cama e vê entrando pelo quarto seu filho.
- Mãe! - Que corre para abraça-la.
- Milioneiro! - Ela abraça o filho com carinho. - Fiquei com medo de não vir. - Wilemina olha para porta aonde Edinilma está.
- Bom dia Edinilma?
- Bom dia Wilemina. Eu e seu filho vinhemos te buscar para te levar para casa. Você recebe alta hoje, não é?
- Sim o médico falou foi isso.
- A minha empregada foi dar uma arrumadinha na casa de vocês. Mas depois iremos contratar uma só pra te ajudar.
- Não vai ser fácil chegar lá e ver aquela casa vazia. - Diz Wilemina triste.
- Mas você vai ter seu filho para te alegrar. - Diz Edinilma esfregando a cabeleira de Milioneiro. Que olhava triste para a mãe. - Vamos passar no banco para dar entrada na sua aposentadoria.
- Tudo certo. - Diz Wilemina sorrindo para Edinilma. - Obrigada por tudo que está fazendo. Sei que não deve ser fácil.
- As coisas estão bem mais difíceis para você do que pra mim. E não custa nada ajudar.
- Se eu tivesse no seu lugar, sei que não fária o mesmo.
- Somos pessoas diferentes.
O médico abre a porta com um grande sorriso.
- Wilemina, vejo que está em ótima companhia.
- Dr. Maximilinário a senhora Edinilma é uma mulher casada. - Diz Wilemina rindo deixando constrangidos Edinilma e o próprio médico.
- Não quis dizer isso. Falo do seu filho.
- Ou sim. - Fala Wilemina com um sorriso malicioso para Edinilma que com vergonha olhava apenas para as pontas dos pés. Mas Wilemina ainda não se deu por vencida. - Edinilma, esse é meu médico, dr. Maximilinário.
O médico apesar do constrangimento não queria ser indelicado e cumprimenta Edinilma.
- Mas eu já o conhecia. Quando você ainda estava dormindo ele me deu a noticia de que a cirurgia tinha sido realizada.
- Muito bem. Mas e ai doutor? Eu vou poder sair desse hospital.
- Sim Wilemina. Você pode. Mas toda semana virá para cá, fazer fisioterapia. Para conseguir voltar a andar.
- É claro doutor.
- E aqui está a lista dos remédios que terá que comprar.
Wilemina pega a lista de remédios e coloca na bolsa.
- Isso é lógico, além da cadeira de rodas. Aqui está o endereço de um bom lugar. Você poderá ficar com a do hospital por um semana.
Edinilma fica preocupada com isso e se vira para Max.
- Mas é muito caro doutor essa cadeira.
- É um preço bastante salgado. Mas você pode achar usadas.
- Vamos dar um jeito doutor. - Fala Wilemina séria. - Não se preocupe.
- Vou pedir para um enfermeira trazer a cadeira de rodas.
Wilemina estava forte a todo momento. Parecia que não andar era apenas um detalhe de sua vida corriqueira. Mas no momento em que a enfermeira chegou com a cadeira de rodas, as lágrimas correram no seu rosto. Todos esperavam ela se acalmar. Max é que se aproximou dela dizendo:
- Vamos Wilemina?
- Calma!
Max se abaixou até ela e falou.
- Não faça dela um bicho de sete cabeças. É só um auxilio enquanto você não poder se locomover sozinha. A cadeira não é sua inimiga. É sua amiga.
Ela chorando se senta na cadeira. Milioneiro segurando firme a mão de Edinilma via a cena apavorado.
No carro Wilemina sentada no banco do carona ao lado de Edinilma que dirigia tinha o olhar perdido e triste. Edinilma sempre preocupada a olhava e para menino no banco de trás.
Chegando na casa, Edinilma desligou o carro e saiu para fora. Tirou a cadeira de rodas do porta-malas do carro e colocou do lado do passageiro. Abriu a porta e olhou para Wilemina com o olhar perdido. O sol batia forte no rosto de Edinilma e a fome no estomago dela.
- Precisa de ajuda Wilemina?
Wilemina acorda e se vira com o olhar corajoso.
- Não. Obrigada Edinilma. - E tenta sair do carro sozinha. Só que quase cai. Edinilma segura a cadeira. Mas logo acaba e segurando Wilemina pelos braços e colocando na cadeira. Milioneiro já do lado de fora do carro vê a cena se preparando para ajudar. Mas Edinilma conseguia sozinha. Ele abre a porta de casa preocupado enquanto Edinilma carregava a cadeira para dentro da casa com Wilemina em cima. Mas antes de chegar a porta Wilemina fala quase nervosa:
- Pode deixar. Eu consigo.
Edinilma solta a cadeira. Estava exausta. E não sabia direito o que deveria ou não fazer. Wilemina com dificuldade entra em casa rolando as rodas da cadeira. E chora ao ver a casa que era toda decorada com carinho pela sua mãe.
Edinilma carinhosa se aproxima e fala:
- Você quer que eu faça comida? Quer que eu prepare seu banho?
- Não obrigada Edinilma. Você já fez muito. Eu peço alguma coisa pelo telefone.
- Eu coloquei um anuncio no jornal. Logo vai aparecer alguém aqui interessada na vaga de enfermeira. Para ficar com você. Te ajudar.
- Ok. Vou estar esperando.
- Eu vou comprar os remédios e vou dar uma olhada nas cadeiras depois do almoço. De tarde eu passo aqui. E vamos ver o negocio da sua aposentaria também.
- Obrigada Edinilma, mais uma vez. Mas agora eu gostaria de ficar sozinha, com meu filho, e a casa que foi dos meus pais.
- Ou sim. Claro.
Edinilma sem graça vai saindo da casa quando vê num porta retrato na mesinha de centro um retrato conhecido. Era de Rodrilberto bem novo. Numa foto antiga. Ela pega a foto e olha estranhando.
- É o meu marido?
- Sim. - Diz Miloneiro indo até a foto e a pegando da mão de Edinilma. - Tenho desde pequeno.
Wilemina se aproxima do filho e o abraça. Quase como se protegesse a foto de Edinilma.
- Deixei a foto com o menino e ele quis colocar no porta-retrato. Ele precisava de uma visão de como era seu pai.
- Está certo. -Diz Edinilma disfarçando um sorriso. - Tchau. Volto mais tarde.
Edinilma sai nervosa pensando se seu ciumes foi muito exagerado... ou não.

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