segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Capitulo 12- Pedindo socorro para o papai

A hora do recreio para muitas crianças é a melhor hora do colégio. É hora em que é solta as amarras das obrigações e aonde o seu ensaio para a vida real acontece. Aonde amizades são formadas, aonde namoros começam e aonde inimigos são enfrentados.
Para Milioneiro não era tão legal assim a hora do recreio. Não era muito engraçado ficar vigiando ver se a professora não vinha enquanto a menina que você mais gostava agarrava nos fundos do colégio. Milioneiro lanchava triste enquanto Madelina e Teorino se agarravam. Quando Dezenui um menino gordo e feio se aproxima de Milioneiro.
- E ai Mili? Não cansa de segurar vela não?
Milioneiro segura seu lanche assustado. Mas enfrenta mesmo com medo o valetão.
- Cai fora Dezenui! Sua área não é essa. Você sabe disso!
- Eu sei disso. Pois mesmo se estivesse na minha área você já não teria dentes. - E o malvado abriu um grande sorriso. - Mas eu vim em missão de paz. - O menino coloca o braço no ombro de Milioneiro. - Você até que é um cara legal. E quero você no meu grupo.
- O que? Você quer eu como seu amigo?
- Você é surdo por acaso?
- Não. Só estou surpreso desse convite.
- Você poderá andar por onde quiser. Toda área sera livre. E poderá ir nas festinhas que meu irmão dá.
- Jura Dezenui?
- É claro. Só que tudo tem um preço.
- Que preço?
- Para entrar no meu grupo você terá que trolar o quatro olhos.
- O que? Trolar? O quatro olhos?
- Sim. Você vai ter que fazer uma zuação com seu amigo Uminota.
- Mas ele é um dos meus melhores amigos.
- Ele é seu único amigo. Você acha de verdade que o Teorino é seu amigo? É otário mesmo. Mas não se preocupe. Se você fizer isso com o Uminota. Você terá todos nos como amigos.
Milioneiro olha para o grupo. Tinha que tomar uma decisão.
- Topa ou não topa cara?
- Eu topo. O que eu vou ter que fazer?
- Vai ter o discurso da bandeira amanhã. E o nerd do Uminota que vai fazer esse discurso enquanto a bandeira é erguida.

Ednilma chega em casa para o almoço olhando para todos os lados. Na sala está Wilemina.
- E ai? Aonde ela está?
- Não sei. Aquela mulher parece um fantasma. Aparece em todos os lugares quando menos espera. Agora eu sei porque vocês tinham tanto medo dela.
-Shiuuu! Fala baixo. Se ela escultar eu estou ferrada.
Mercelina aparece na sala:
- Ednilma ainda bem que a senhora chegou. A sua mãe já comeu o vidro de bolachas, os cinco pães para lanche da tarde e não para de me perguntar quando o almoço irá sair.
Ednilma vai até a cozinha e vê a mãe abrindo as panelas de Mercelina.
- Mamãe!
- Finalmente chegou. Sabia que se você não voltasse para o serviço agente iria morrer de fome? Sua empregada é muito despeitada! -Ela prova o caldo da panela e grita atravessando Edinilma. - Mercelina o caldo precisa de mais sal! Não tem ninguém doente aqui não!
- Mãe! Por favor! A Mercelina sabe o que está fazendo!
- E você quer dizer que eu não sei fazer comida! Fui eu que te alimentei por mais de vinte anos! Porque se dependesse do seu pai! Ele não sabia fazer um arroz!
- Era você que não deixava ele fazer nada na cozinha da senhora. Sempre criticando e dando palpites.
- Ai vem você. Seu pai é sempre é um santo. E eu um monstro. - A mulher começa a chorar. - Isso é uma faca no meu peito Edinilma. Eu que criei vocês! Seu pai nunca estava em casa!
- A senhora obrigava ele a trabalhar em dois empregos! Sempre o precionando, o criticando. Nada nunca esteve bom para você!
- Você? Por acaso eu larguei de ser sua mãe por um acaso? A educação que eu te dei desapareceu não é. É isso que dá ter um marido que nem cursou uma faculdade. Mas eu te falo. Um dia ainda você ainda terá só eu Edinilma. Ai me dará valor!
Ela sobe as escadas nervosa para o quarto. E Mercelina correndo fala:
- Vamos servir o almoço agora dona Odranoeti.
- Eu não vou comer na casa de um monstro como minha filha. Perdi a fome!
Rodrilberto chega com o filho do lado sabendo que já tinha briga. Edinilma se senta a mesa desesperada.
- O que eu faço gente? Eu não suporto viver com minha mãe. Eu vou ficar louca assim.
Rodrilberto chega falando:
- Você deve chegar e falar para ela meu amor, que ela terá que alugar uma casa. Você sabe que vocês não dão certo.
- A sua mãe não dá certo com ninguém Edinilma - Fala Wilemina segura do que falava.
- Eu vou falar com papai. Não é possível. O único que aguenta ela é ele. E um amor de quarenta anos não se acaba assim do dia para a noite.
- Alguma coisa sua mãe deve ter aprontado. - Fala Wilemina novamente.
- Mas ela não quer contar. O jeito é falar com ele. E já passou dá hora de eu fazer isso. Vão almoçando que eu ligar lá do meu quarto.
Edinilma sobe as escadas nervosa. E liga para o pai. Depois de alguns toques uma voz calma e tranquila fala:
- Alô? Quem fala?
- Pai? Sou eu. Edinilma.
- Filha! Quanto tempo. Tinha esperança que você me ligasse agora.
- Pai. O que foi que aconteceu? Minha mãe está me deixando louca!
- Isso nas seis horas que ela está ai. Imagine o que eu tive que aguentar minha vida inteira. - Fala o velho rindo.
- Tive? O senhor de verdade não quer mais aguentar? O que aconteceu? Porque brigaram?
- Querida, verdadeiramente eu amo sua mãe. Mas ela não me dava o devido valor que eu merecia. Sempre me prendeu numa teia de promessas e joguinhos. Mas consegui me livrar disso com ajuda da Mona.
- Mona? Que Mona?
- Minha professora de Artes. Ela me ajudou a ver meu mundo de outra forma. Eu não preciso sofrer. Ninguém precisa. Temos de ver a vida de forma diferente. De forma viva. E sua mãe se prega aos problemas e aos sofrimentos. Parece que ela gosta de ser vitima da vida e não age. Não quer agir, para não correr o risco de não ter desculpa para dizer aos que está sofrendo, que está triste. E eu não quero mais ser assim. Quero ser feliz Edinilma. E com sua mãe jamais seria.
- Volta para minha mãe pai. Faz ela entender isso.
- Você de verdade acha que alguém faz ela entender alguma coisa nessa vida? E além de tudo, eu comecei um relacionamento com outra pessoa.
- Outra pessoa? Quem?
- A minha professora de Artes Mona. Ela é tão perfeita Edinilma. Você não tem ideia. Você vai adorar conhece-la.
- Tenho certeza pai. - Edinilma desliga o telefone e desce as escadas triste aonde todos almoçavam menos Odranoeti.
- Meu pai arrumou outra mulher.
- Nossa, seu pai é rápido! - Fala Wilemina surpresa.
- Agora é aprender a conviver com sua mãe da melhor forma possível. - Fala Mercelina também comendo.
Ednilma bate na mesa e fala:
- Não! Eu não vou aprender a conviver com ninguém. Porque eu vivi com ela vinte anos e sei que isso é impossivel. Agente nunca vai se dar bem. Quem é que pode se dar bem com ela? O único é meu pai e vou ir lá pessoalmente conversar com ele.
- Mas amor se sua mãe souber ela vai te matar. - Fala Rodrilberto preocupado.
- Eu invento uma desculpa. - Edinilma olha para Wilemina e fala: - Wilemina você vai comigo. Vamos comprar sua cadeira. É uma ótima desculpa. De carro até a noite voltaremos e minha mãe passará a noite na casa dela.
- Mas o que pensa em fazer com a outra mulher? - Fala Wilemina.
- Não sei. Vou obrigar meu pai a virar bígamo. Mas minha mãe vai voltar para a casa deles.


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