quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Capitulo 8- As coisas ficam mais complicadas do que pareciam.

Edinilma chega em casa. Rodrilberto estava no seu horário de almoço. A mulher chega nervosa com uma sacola na mão.
- O que foi amor?
- Gastei uma nota preta com os remédios da Wilemina. Pensei que fossem baratos.
- Nossa que exagero Edinilma. Deixa eu ver. - Fala ele pegando a nota fiscal. - O que é isso? Nem sabia que remédio poderia ter esse preço.
- Como a Wilemina vai conseguir pagar um remédio desse preço todo mês?
- Com a aposentadoria dela. Já resolveu isso? - Pergunta o marido colocando os pratos na mesa e começando a almoçar.
- Vou ir lá depois do almoço.

Na casa de Wilemina ela assistia televisão junto do filho. Quando alguém bate na porta. Wilemina vai para se levantar e lembra-se do seu estado. E bufando roda a cadeira até a porta:
- Mãe deixa que eu vou. - Fala Milioneiro assustado com a situação.
- Não. Fique ai.
Wilemina com dificuldade abre a porta.
- A comida que vocês pediram. - Fala o rapaz assustado com a mulher de cadeira de rodas.
- Obrigada. - Diz ela pegando com brutalidade.
Ela fecha a porta quase na cara do rapaz que olhava espantado vendo apenas ela e o filho. A mulher coloca as marmitas em cima da mesa. E vai até o armário.
- Mãe deixa eu fazer isso!
- Eu consigo Milioneiro. - Wilemina se aproxima do armário e olha para a porta aonde estavam os pratos. E ela tenta se esticar para poder alcançar a maçaneta da porta. E cai da cadeira.
- Mãe! - O menino corre até a mãe e a ajuda a se levantar.
- Vocês precisam de ajuda? - Diz o rapaz de fora da casa.
- Não. Obrigada! Pode ir! - Diz Wilemina tentando se controlar. Ela se afasta e deixa o filho pegar os pratos. Ele vai para colocar a comida. Wilemina tenta pegar da mão dele:
- Não. Eu faço!
- Pode deixar mãe. Eu consigo.
Milioneiro ganha. Wilemina estava fraca e frágil.
Edinilma se aproxima da casa novamente do carro. O rapaz ainda estava lá. E quando ele a vê, ele já fala com Edinilma de dentro do carro.
- Graças a Deus você chegou moça. A mulher ai dentro de cadeiras de rodas. Caiu.
- Caiu? - Edinilma desce do carro e abre a porta assustada.
Wilemina já com o prato na mão comendo do lado do filho fala nervosa:
- Que isso? Que invasão é essa?
- Desculpe Wilemina. É que o rapaz falou que você tinha caído.
O rapaz dentro da casa também fala:
- Mas ela caiu. Eu ouvi.
- Tudo bem. Agora que o senhor já fofocou para metade do bairro que eu cai. Pode ir embora. - Fala brutalmente Wilemina. O rapaz sai envergonhado.
Edinilma se vira para ele e fala constrangida:
-Obrigada.
Ele sai. Edinilma fecha a porta e se aproxima de Wilemina e Milioneiro.
- E ai? Alguém veio pelo anuncio para te ajudar?
- Não. Não veio ninguém.
- Parece que isso funciona só na televisão. - Fala Milioneiro mastigando um pedaço de frango.
- Aqui estão seus remédios. São bem mais caros que eu pensava. Almocem logo para eu poder levar vocês para o banco.

Já de frente a uma atendente do banco Edinilma se assusta com a fala da mulher:
- A senhorita vai precisar fazer esses exames para comprovar que não pode mais trabalhar.
- Mas mulher ela está de cadeiras de rodas. - Fala Edinilma nervosa. - Quer comprovante maior que esse?
- O médico já será marcado ali do lado. O prazo minimo são de cinco a quatro meses. Obrigada.
- O que? Vai demorar isso tudo para eu aposentar?
- Não. Isso demorará para você conseguir se consultar com o médico. Que encaminhará para os exames. E depois marcaremos de novo a consulta para confirmação.
- Mas já temos um atestado do meu médico.
- Tem que ser um médico do governo. E o seu não é.
Edinilma e Wilemina sai atordoadas do banco e entram no carro.
- Quando eu conseguir me aposentar o Milioneiro já vai precisar se aposentar. - Fala Wilemina. - Como vou comprar meus remédios, sustentar a minha casa. O Milioneiro vai ter que arrumar um emprego.
Edinilma olha assustada para a cena. Não teria outro jeito.


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