segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Capitulo 14 - O caminho errado

Edinilma nunca pensou que seus pais algum dia iriam se separar. Odranoeti e Sebston se casaram jovens e com uma festa muito bonita. Tudo parecia um sonho. Mas se Sebston soubesse olhar os detalhes veria que seu futuro do lado da mulher amava iria ser solitário.
Odranoeti nunca teve grandes amigos. No máximo colegas. Que de vez em quando ia a sua casa. Os pais de Odranoeti muito severos, o pai general e a mãe uma dona de casa respeitadíssima e autora de best-seller de culinária. A organização em sua casa era coisa séria. Odranoeti tinha uma boneca por ano. E brincava com essa até o dia 4 de março. Dia do aniversário de Odranoeti em que enterravam as bonecas velhas e ela ganhava uma nova. Ela tinha um cemitériozinho no canto do quintal enorme cercados por paredes grossas e cheias arames farpados, cerca elétrica e cacos de vidros.
Para Sebston ter que cortejar a mais nova dos filhos do Coronel Bovinalho foi muito dificil. Mas Sebston ao vê-la no carro de luxo do pai uma vez no banco do carona ele não sabia fazer outra coisa a não ser pensar nela.  Sua beleza era enorme. E a insistência de Sebston era maior.
Ele nunca tinha namorado outra menina. E era tido como o bobo dos três filhos que dona Eliodomada criou sozinha. O caçula. Mas ela era a menina que ele queria. E gastando todo o salário dele com flores e bombons conseguiu noivar com três meses seguidos levando flores para os pais da bela donzela.
Cazou-se com Odranoeti vendo ela apenas cinco vezes. E tendo aquela linda mulher em sua casa passou a perceber o porque dos pais não deixarem vê-la.
Odranoeti tinha sido muito mimada por ser a única filha não revoltada da família. E Sebston percebeu que não seria um casamento tão fácil quanto dos pais. Lógico que os pais conviveram apenas três anos de casamento. E seu Vidal morreu no dia em que  Sebston nasceu. Seu aniversário não era comemorado por essa razão. E ele era um menino muito solitário.
E viver sozinho com sua esposa era algo muito fácil.
A única filha que tiveram assim que completou a maior idade se casou e mudou para muito longe da mãe. E Sebston sábia que Odranoeti era uma carga que ele deveria levar. Ele a amava. E tinha seu serviço. Trabalhava muito. Mas quando aposentou-se percebeu que as coisas não iam ser tão fáceis quanto antes.
Resolveu fazer aula de artes para ficar menos tempo em casa. E voltar a amar a mulher.  Mas acabou que em vez de amar mais a mulher descobriu que existia pessoas de mais fácil convivência. Mona era a pessoa mais perfeita que Sebston conheceu. Era uma senhora de idade também, mas com a aparência perfeita, mas deixando que o tempo apenas melhorasse o que Deus tinha lhe dado.
Mona tinha uma boa palavra a cada segundo. E sábia acalma-lo como ninguém. Sabia falar a palavra certa, na hora certa.
E Edinilma soube que Mona era a pessoa perfeita para seu pai assim que ela abriu a porta. Uma senhora de cabelos grisalhos, um grande sorriso nos lábios, avental com estampa de verduras e uma luva grande segurando uma forma de bolachas que aparentemente tinham acabadas de sair do forno.
- Bom dia, a senhora deve ser Edinilma. Filha do meu querido Sebston.
- A senhora deve ser Mona. Meu pai está? - Diz Edinilma olhando para Wilemina já na frente da casa com cadeira de rodas novas. Comprada por Edinilma pelo favor prestado de ir com ela.
- Sim. - Diz ela abrindo a porta. E vendo Sebston com um grande sorriso no rosto.
- Minha filha querida. - Ele abraça a filha com carinho. E fala. - Não sabe como senti saudades de você.
- Pai. - Diz Edinilma com um sorriso um pouco forçado. - Essa é minha... amiga. -Diz Edinilma confirmando com Wilemina. - Wilemina. Ela veio comigo.
- É um prazer conhece-la.. - Diz o pai com carinho.
- Entrem. Por favor. - Diz Mona colocando a forma em cima de uma mesa.
Edinilma entrou na casa na qual nunca pareceu a casa que viveu a alguns meses atrás. Era toda decorada com panos bordados e enfeites caseiros que deixavam a casa totalmente confortável.
- A casa está diferente. - Fala Edinilma surpresa. Sebston fala abraçando-a com carinho.
- Mona fez uma grande diferença em minha vida querida.
- Ele só precisava de um empurrãozinho para ser feliz do jeito que é.
"Um empurrãozinho no caso foi nas costas da minha mãe." pensou Edinilma ficando no meio da sala.
- Sentem-se. Fiquem a vontade. - Diz Mona com carinho se sentando do lado de Sebston num sofá.
- Pai o que foi que aconteceu? - Pergunta Ednilma direta. Mona sorrindo se levanta e fala sem demonstrar constrangimento.
- Eu acho que vocês precisam conversar assós. Wilemina porque não vem me ajudar na cozinha.
- Acho que não vou poder ajudar muito. Mas me satisfaço a olha-la. Parece que leva o maior jeito na cozinha.
As duas saem para cozinha deixando pai e filha sozinhos na sala.
- O que aconteceu com a mamãe?
- Filha sua mãe é uma pessoa difícil.
- Eu sei. Mas você a amava.
- Eu amo a sua mãe Edinilma...
- Ainda ama? - Pergunta Edinilma sorridente.
- Mas ela não dá valor nisso. E eu preciso também ser amado.
- Mas ela te ama pai. Se não, não ficaria com você todos esses anos.
- Mas saber que é amado não é o bastante. Precisa demonstrar isso Edinilma. E uma coisa que sua mãe não sabia fazer bem é isso. Já Mona...
- Você não a ama pai.
- Principalmente na fase que estou minha filha, agente aprende que temos que ficar do lado de pessoas que passam coisas boas para você. Eu já fiz demais pela sua mãe. E agora está na hora de eu ser feliz também.
- Mas pai... - Ednilma vê na cozinha Wilemina se alegrando com Mona a ensinando a se virar na cozinha com a cadeira de rodas. E por um segundo percebe que queria conviver com aquela mulher. Ednilma abaixa a cabeça e ao levanta-la levanta com um sorriso. - Eu de verdade espero que você fique muito feliz com a Mona. Ela é uma pessoa maravilhosa e sei que vocês faram um ao outro muito felizes.

Edinilma entra no carro com Wilemina. E começa a chorar. Wilemina sorrindo nem percebe a tristeza de Edinilma e fala:
- Eu não acredito. Aquela mulher é maravilhosa. Como ela tem idéias tão boas? Ela tinha uma avó que usava cadeiras de rodas e ele montou a casa dele sozinho... - Ela percebe que Edinilma chora. - O que foi Edinilma?
- Minha mãe também é boa. - Diz ela chorando. - Eu amo ela. Ela não é insuportável.
- É claro que é Edinilma. - Diz Wilemina passando as mãos carinhosamente pelos cabelos de Edinilma. Ela para o carro e abraça Wilemina chorando.
- Ninguém é perfeito. Só tenho que saber conviver com ela.
- Viu como foi bom agente vir aqui. Agora você está decidida a ter uma boa convivência com sua mãe.
Ednilma faz é chorar mais alto com o que ela fala.

Na escola Milinoeiro todos estavam reunidos no pátio. E se sentam nas cadeiras de frente a três cadeiras e a bandeira. Uma estava a cadeira da professora, a outra era do garoto que discursaria naquele dia, e a outra era a diretora.
A diretora estava sentada já na cadeira dela cadeira toda orgulhosa. Uminota estava na sala de aula ainda com a professora. Sem duvida ela estaria o acalmando. O menino estava muito nervoso.
Dozenui se aproxima de Milioneiro e fala:
- Aqui está Milioneiro. - Dozenui segurava um vidro de um liquido transparente.
- O que é isso?
- É cola rápida. Você vai passar na cadeira de  Uminota.
- O que? - Diz Milioneiro surpreso. - Mas assim ele não vai se levantar.
Dozenui rindo malignamente fala:
- É essa a ideia.
- Eu não posso fazer isso Dozenui.
- Você que sabe. Se quer continuar sendo conhecido como o candelabro da escola para sempre. Sabe que vai ter uma festinha que meu irmão vai fazer nesse final de semana. Vai estar cheio de gatinha. Se quiser ir...- diz o menino empurrando a cola para Milioneiro.
Milioneiro se vira e vê Tonely com Madelina se beijando. E ele pega a cola.
Sorrateiramente ele vai atrás do palco e das cadeiras e sem a diretora vê passa cola no banco do amigo.
Uminota, mais confiante  de mãos dadas com a professora entra. Pliana fala calma para todos.
- Silêncio meninos! Silêncio! Todos se sentem que antes de Uminota fazer o juramento. Eu vou falar do que se trata o dia de hoje.
Uminota se senta. E Milioneiro vê com consciência pesada.
A professora fala por horas e horas.  Até que finalmente ela diz:
-Agora Uminota vai fazer seu discurso. - Uminota com um grande sorriso e confiante vai para se levantar. Mas não consegue. E se assusta. - Uminota. Venha!  - Repete a professora. Ele tenta mais uma vez se levantar mas não consegue. A diretora nervosa o puxa. E a cadeira se levanta grudada na bunda de Uminota e todos riem.
- Eu estou grudado! Eu não consigo!
Milioneiro vê tudo com grande remorso. Todos rindo do pobre menino que chorava. A diretora tenta arrancar a cadeira da bunda do Uminota e acaba é arrancando a calça inteira do pobre menino. Uminota sai correndo para o banheiro chorando. E a professora e a diretora vão atrás dele.
Milioneiro olha para Dozenui e rolando de ri junto de toda a escola confirma com a cabeça que ele tinha entrado no grupo. Mas atrás de Dozenui Milioneiro vê Madelina que claramente percebe o que aconteceu.


Nenhum comentário:

Postar um comentário