terça-feira, 6 de novembro de 2012

Capitulo 15- Olhando pelo outro lado

Rodrilberto chega no seu serviço e vê Tonelly triste do lado de fora da loja. Ele guarda o carro na garagem e ao entrar na loja a vê se dirigindo ao banheiro. Ele vai até Rodinildo e pergunta:
- O que aconteceu com Tonelly?
- Não sei. Ela está assim desde ontem quando voltou do passeio com o Seu Miguelito. Deve ter chutado ela. Ou ela pensou que ele largaria a esposa dele, para ficar com ela. 
- Para ser amante de um cara desse tem que estar muito desesperada. - Fala Rodrilberto indo até o banheiro e batendo na porta.
- Tonely? Você está bem?
- Estou! -Diz ela com voz de choro.
- Aconteceu alguma coisa Tonely. Me conta. 
- Me deixa Rodrilberto. 
Rodrilberto se vira para sair e Tonely abre a porta. E fala as lagrimas:^
- Eu tó gravida. 
- O que? - Vira Rodrilberto e Rodinildo assustados.
- Sim. Aquele bandido do Miguelito me engravidou. E falou que não quer saber da criança se eu contasse para alguém que era dele iria me demitir. Mas para mim tanto faz. Meus pais já estão sabendo. E pediram para sair do serviço mesmo. Eu vou contar para a esposa dele. Só que preciso de um carro. Rodrilberto, você vai comigo?
Rodrilberto olha apavorado para a mulher.
- Eu não posso Tonely! Eu mais do que nunca dependo do meu emprego. Tenho que sustentar cinco pessoas dentro de casa sozinho.
- Você é um frouxo mesmo.
Rodrilberto entra dentro de sua sala e Fiorella está ali.
- Olá Rodrilberto? Vamos continuar aquele papinho nosso de ontem? - Diz ela se levantando sensualmente.
Rodrilberto apavorado fala:
- Eu adoraria Fiorella mas tenho que levar Tonely num lugar agora. - Diz Rodrilberto abrindo a porta de seus escritorio de novo e saindo. Tonely ouve o que Rodrilberto fala e sai junto dele para o carro. E Rodinildo fala os acompanhando:
- Fala para o seu pai que a Tonely estava passando mau e fomos todos ajuda-la.
Dentro do carro Rodrilberto fala:
- Tonely você não pode fazer isso. Vai acabar com a vida da mulher de Miguelito que não tem nada a ver com os problemas do marido.
- Ela é uma mulher traída e precisa saber a verdade! - Fala ela nervosa.
- Eu concordo plenamente Tonely. - Diz Rodinildo com um grande sorriso.
- E para que você veio Rodinildo? Você vai perder o emprego atoa?
- Eu nunca fui de ficar cortando tecido para o povo mesmo. Quem sabe assim o seu Miguelito não faz um acordo comigo?
- Eu duvido muito meu amigo que isso vai acontecer. - Fala Tonely com olhar cheio de ódio.- O que te fez mudar de ideia tão rápido Rodrilberto?
- Aquela louca da Fiorella já ia me fazer perder o emprego mesmo. Pelo menos vou sair fazendo justiça.

Wilemina e Edinilma chegam em casa mortas de cansaço. E Mercelina chega da cozinha:
- Que linda cadeira Wilemina.
- Minha amiga comprou. - Diz Wilemina alegre com Edinilma. Ela esboça um sorriso que logo some. Edinilma se joga no sofá preocupada.
- Pelo jeito as coisas não saíram do jeito que planejaram.
- Não Mercelina. Mona é a mulher mais perfeita possível para o meu pai e tudo que ele sempre mereceu. Pelo jeito terei que aprender a lidar com minha mãe.
-  A convivência é sempre difícil Edinilma. Independente de como a pessoa pareça perfeita. Somos seres diferentes que tem que ceder em alguns pontos e impor outros. Porém existem pessoas que esquecem de ceder e querem apenas impor. No caso da sua mãe é assim. E devemos lidar com sua intransigência não sempre cedendo mas impondo algumas regras. Mas tudo por meio de conversa cercadas de carinho e não de brigas. Sente-se com sua mãe e converse com ela sinceramente sem criticas, sem palavras desnecessárias. E coloque suas regras, e diga o que está a machucando e no que ela poderia mudar. Deixe ela soltar a raiva dela e depois continue  a falar. Uma hora sua raiva acaba. A fonte seca e vai chegar a compreensão. E a senhora também veja em meio as criticas dela no que você poderá mudar para melhorar. 
Aposto que essa conversa acrescentará muito na evolução de vocês duas como pessoas.
Edinilma olha  para Mercelina e fala:
-As coisas não são tão simples assim. Minha mãe é durona e só sabe criticar. Ela tem um coração de pedra Mas eu vou falar com ela. Está no quarto não é?
- Sim. 
Edinilma sobe as escadas e se surpreende ao ver a mãe chorando deitada na cama. Ela se aproxima e se senta na cama. 
- Mãe. O que foi? - Fala Edinilma surpresa.
- Eu estou com medo minha filha. Medo de ficar sozinha. Se não fosse você o que seria de mim? Você é uma filha muito bruta comigo. E me trata feito um lixo. Mas é minha filha. E me aceitou em sua casa. Mesmo que seja por obrigação. Mas eu sinto falta do seu pai. Ele era um boco que não sabia fazer nada sem mim. Mas eu amava ele. E pensei que iriamos ficar para sempre juntos. Que morreríamos um do lado do outro.
- Mas mãe. A senhora fez tudo que pode? 
- Como assim tudo que pude? 
- A senhora lutou por ele mãe? Pediu para ficar?
- Eu? - Diz Odranoeti revoltada. - Queria que eu implorasse para ficar com ele? Nem morta! Homem nenhum vai me tratar como um lixo minha filha. 
-Não é tratar como lixo não. Quando ele falou que não queria ficar com a senhora. O que foi que falou?
- Eu...
Odranoeti não fez nada. Naquela noite vendo a novela que tanto gostava. Com o marido do lado pensou que estava tudo bem. Tinha feito a janta. Jantado. Ele falou das aulas de artes. Odranoeti falou da nova receita que aprendeu na televisão. E sentados juntos vendo a novela pensou que estava tudo bem. Mas de repente Sebston apenas falou:
- Odranoeti, não dá para fazer mais de conta que está tudo bem. Eu vou fazer sessenta e sete anos ano que vem e nunca pensei que chegaria a metade disso. Parece que a vida está me dando uma nova chance e não perder tempo com você. Cansei de tentar muda-la. Cansei de tentar fazer você ser uma pessoa melhor. Sempre você vai ver todo mundo com um lugar terrível de se viver e sua vida com um pior tragédia da vida.
Um dia você vai entender que para sermos felizes bastava você querer ser feliz. Eu vou embora amanhã de manhã.
Odranoeti ficou parada. Não falou nada. Apenas desligou a televisão no meio da novela e foi para o quarto. Arrumou suas malas e saiu. 
Não demonstrou por um segundo que não queria ir embora. Que queria mais uma chance de mudar. Que não era aquele monstro que o marido pintara. Que era uma mulher com sonhos e esperanças. Mas a vida a ensinará a nunca sonhar, confiar nas pessoas ou se apaixonar ou demonstrar suas paixões para não se desiludir. A vida a ensinará a parecer uma pedra. Mas ela não era. Só demonstrava ser.
- Mãe, a senhora não precisa ser tão difícil assim. Nem todas as pessoas machucam as outras por que querem. As vezes é sem querer. As vezes é melhor enxergar assim e amar a todas as pessoas, do que enxergar a maldade em todos nós e não ter ninguém. Afinal de contas, no final, todos temos um lado de ruim e o outro bom. Basta senhora decidir por qual olho quer enxergar.
- Não é assim minha filha. Você não tem experiência como eu tenho.
- Não como a senhora tem mãe. Mas eu tenho diferentes.
- Que experiência que você teve meu amor. Sempre viveu na barra da minha saia a vida toda. Depois ficou só com o marido. Ainda tem muito o que ver. E quando chegar lá se tornará como eu.
- Mãe! Aceite de uma vez que o seu modo de ver as coisas é errado! Ou pelo menos o mais difícil! - Diz Edinilma perdendo a paciência. 
- Você quer que eu fique sorrindo para as pessoas que me olham pelas costas? Que diga para seu pai que o amo depois dele ter me machucado com palavras tão tristes?
- E quando ele falou palavras alegres para a senhora? A senhora falou que o amava? Pare de tentar se defender pelas atitudes dos outros. A atitudes dos outros vai trazer mau para os outros. Agora as atitudes boas da senhora que vai trazer coisas boas para a senhora. Tente olhar o mundo pelo lado bom. Tudo tem dois lados. Não importa que atitude seja. A senhora que precisa decidir ser feliz. Ver as coisas como sendo boas. E não ao contrário.
- Você puxou seu pai. -Diz Odranoeti inconformada. - Fala do mesmo modo dele. 
- Então ele também estava apenas querendo o bem da senhora. Ele só estava agora querendo o bem dele. E você infelizmente não fazia bem para ele.
- Eu tentei Edinilma. Eu tentei ser o bem para o seu pai.
- Tentou mesmo? Ou tentou ser uma boa esposa e se esqueceu de ser uma boa pessoa?

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